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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026

Política

República espanhola

Mesmo com todos esses contextos, segue a Espanha sendo monarquia.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
República espanhola
Republicanos hasteando a bandeira; Foto: reprodução
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           Ainda que o continente com mais tradição presidencialista seja a América, muito por causa da influência dos EUA por cá, outras partes do mundo passaram a adotar modelos de presidencialismo ou ao menos de República. No mundo Ibérico, os dois principais países lusitanos assim procederam. O Brasil em 1889 e Portugal em 1910. O mesmo também acorreu com os países da América espanhola, como Chile, Uruguai, Argentina, México, Colômbia e outros. Estes, a exceção de México que teve um curto período monárquico em 1821, tornaram-se repúblicas desde suas independências. O Brasil começou com dois reinados, Dom Pedro I e II, mas tornou-se república no final do século XIX. E a coroa portuguesa caiu em 1910. Porém, de maneira bastante singular entre os ibéricos, um país permaneceu monarquia: a Espanha. 
    Tanto a coroa portuguesa quanto espanhola foram duas das mais fortes durante o período colonial, estabelecendo domínio sobre grande parte da América. Porém perderam bastante força a partir do século XIX, quando também se começou a ter mais forte a ideia de república como forma de governo, com base na organização política dos Estados Unidos. O que levou também ao surgimento das repúblicas citadas no paragrafo anterior.  No caso da Espanha se teve algumas tentativas de formar tal tipo de governo por lá, mas foram frustradas. As quais sempre estavam em diálogo com o contexto e ideias políticas da época.
    O mais recente e famoso exemplo disto foi a guerra civil espanhola, ocorrida entre 1936 e 1939. A qual trouxe novamente a ideia de república para tal local, muito associada para com o socialismo, que se tornava uma pauta política relevante e importante, bastante baseado junto da União Soviética. Uniu-se estes dois pontos no lado dos republicanos. Não que fosse homogêneo, pois tal lado reunia republicanos, socialistas, anarquistas, gente de esquerda de um modo um pouco mais geral. Tinha o presidente Niceto Alcalá-Zamora como representante. O outros reunia reacionários, monarquistas, falangistas, pessoas se opondo a tais ideias. O qual tinha como principal representante o general Francisco Franco, que tinha feito carreira no Marrocos. A monarquia espanhola já havia caído em 1931, tendo ficado uma república. Que sofria instabilidades, mas tinha um caminho. Até a tomada de Madrid em 1939, dando vitória aos franquistas. 
   Neste período então instaurado deixou de ser uma monarquia, tornando-se uma ditadura militar. Baseada e centralizada no ditador Franco, que governou até sua morte em 1975, sendo talvez a mais cruel e violenta ditadura do século XX. Que teria permanecido com Carrero Blanco se este não tivesse sido morto pelo ETA no atentado em seu carro. Após uma transição de poder, no qual uma parte do exército ainda permanece leal aos ideais franquistas. Ao ponto de ainda estarem a postos para tomar o poder. Mas houve uma restauração da monarquia, ao invés de uma transição da república. A monarquia torna-se ali uma de tipo constitucional, tendo também o país presidente e primeiro ministro de lá para cá. Se organizando nos moldes da social democracia, garantindo alguns direitos individuais e uma organização política na maneira do capitalismo liberal. Muitos conservadores, que defendem a monarquia em locais diversos, veem a atual monarquia espanhola, como fachada para um suposto governo esquerdista. 
     Mesmo com todos esses contextos, segue a Espanha sendo monarquia. Portugal, que já era república antes período e viveu, nas mãos de Antônio Salazar, uma muito similar ditadura no mesmo período, voltou a ser república após isso. E o Brasil, em suas instabilidades políticas, também manteve a república acontecendo. Isso mostra que talvez haja mais contradições e uma diferente cultura política na Espanha. São conceitos um tanto complexos, mas há no estado espanhol uma aparente menor vontade e disposição para se organizar como república. Quando lhe ocorrer será algo de grande valor, tendo muitos espanhóis, principalmente de esquerda, defendendo tais ideias. É comemorado em 14 de abril o dia da república espanhola. Ainda poderá ocorrer, dando mais poder político ao povo espanhol.    

Pedro Fagundes de Borba

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