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Domingo, 31 de Maio 2026
Literatura

Royal Enfield no Brasil

Visivelmente sendo uma marca que teve altos e baixos, novamente está se colocando em ponto alto, se expandindo em vários mercados, tendo Índia e, especialmente, Brasil como seus principais polos.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Royal Enfield no Brasil
Royal Enfield Guerrilla 450, Yellow Ribbon; Imagem: reprodução
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 Como a marca de motos Custom a mais tempo em contínua produção do mundo, a Royal Enfield já passou por diversas fases, estando atualmente numa boa fase, em uma ascensão. Tendo sido criada na Inglaterra no final do século XIX, teve presença e estilo britânico, conseguindo espaço na primeira metade do século XX, sendo usada na Segunda Guerra Mundial no exército, atualmente refletido em suas motos Classic, na forma militar. Porém, após este período, entre várias idas e vindas, passou a marca por decadência, principalmente no Reino Unido e Estados Unidos. Um pouco disto por causa do aumento de outras marcas, como Yamaha e Honda, as quais eram motos mais acessíveis. E, na linha Custom de motoclubes, a Harley Davidson passava a dominar cada vez mais este nicho, este cenário. 
    Neste momento, foi a marca comprada pela Índia, por um grupo indiano. O qual revitalizou a marca, manteve o estilo inglês, mas agora sendo feita na antiga colônia. Esta foi uma longa tramitação, feita das décadas de 1950 até a de 1990. E atualmente o escritório e fábrica da marca ficam na Índia. O escritório de desenvolvimento e design, no entanto, ainda são na Inglaterra, por ser o estilo de herança britânica. Com a revitalização da marca, busca ela novos espaços e posições de mercado.
     Visivelmente sendo uma marca que teve altos e baixos, novamente está se colocando em ponto alto, se expandindo em vários mercados, tendo Índia e, especialmente, Brasil como seus principais polos. Em terra brasileiras, de alguns anos, para cá, vem fortemente se estabelecendo e se colocando. Já possui lojas em várias capitais nacionais e em grandes cidades do interior. E sua maior concessionária do mundo fica em São Paulo. É interessante pensar a maneira como tem agido a marca e o que está estabelecendo e atingindo, bem como o espaço brasileiro que vem conquistando. 
    Como marca, não se pode dizer que tenha sido o primeiro lugar. Nem na linha Custom, a qual ficava atrás da Harley Davidson, nem em motos mais convencionais, perdendo espaço para Honda e Yamaha. Então acabava sempre num limbo. Uma coisa notável é que nunca tentou copiar a Harley, mantendo sempre seu estilo inglês, não caindo no estilo americano da outra. Diferente do que fez a Honda em linha Custom, Shadow, a qual imita o estilo da Harley, mas com preços mais acessíveis, também com limitações. E a Royal, mantendo sua forma, também possui uma particular beleza e estilo. 
    No Brasil, e em outros países, sua principal estratégia está sendo aproveitar um nicho, uma parte do mercado que ainda estava inexplorada. Que é pegar o público Custom que não tem dinheiro para Harley ou não quer investir tanto assim. Pois, pelo alto preço da marca americana, muita gente acabava ficando de fora. Por ser uma quantidade considerável de gente, havia ali um público, uma fatia de mercado. E, muito espertamente, a Royal enxergou isso e se posicionou, abocanhou tal público. Vendendo Custom boa, bonita e com preços bem mais amigáveis, conquistou grande espaço no mercado brasileiro. E está também consolidando uma cultura nacional de marca, do que está colocando e formando. Ainda é algo bastante no começo, porém firme.
    É interessante pensar esse cenário, como uma marca passa a adquirir uma parte maior de público, suprindo algo que não havia. Trazendo um estilo diferente de moto, que agrada e atende a demanda de uma parte do público que não conseguia uma com estilo por bom preço, consegue estabelecer-se aqui, fazer uma maior variedade e novos jeitos para moto. Não irá desbancar Harley Davidson, esta possui um público bem especifico e firme, porém conseguiu criar presença com os demais, fazendo uma marca boa e acessível. Uma jogada bem feita, que está ainda na ascensão, mas já deixa a mostra como ficará.      
      

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