Servindo de base até mesmo para doutrinas e vertentes religiosas, o trabalho foi ao longo de várias histórias e sociedades, um fator determinante para a vida e organização humana. Ele é, antes de tudo, uma necessidade imposta, devido às condições da vida e o âmbito para melhorá-la, fazer com que as coisas fiquem mais em favor nosso. Com o tempo, foi o trabalho cada vez mais se sofisticando, adquirindo outras características e formas, mantendo ainda parte de seu sentido original, embora fosse cada vez mais carregado de contradições e problemas.
O sentido do trabalho, sua função, necessidade e valor, na atualidade, está completamente alienado e afastado de sua essência, de seu fator de mutualismo. Pois se seu sentido é a construção de uma sociedade boa e justa para todos, disto se encontra em grande distância, devido suas contradições. Então se o fator trabalho possui uma permanência, não por uma ontologia humana, mas sim por suas necessidades materiais, ele se torna algo constante e permanente na vida das pessoas e na constituição social. Ao mesmo tempo em que há esta necessidade que lhe dá sentido, o trabalho também se encontra fragmentado, dividido e afastado do sentido construtivo, de produção de uma sociedade de bem estar.
Isto ocorre pois, embora seja essa necessidade, seu uso se dá para a produção de valor e capital, não para o valor próprio do produto. Se um produto, que é fruto de trabalho, é mais considerado por seu valor de troca do que seu valor de uso, o segundo lhe dá o verdadeiro sentido, o qual justifica o trabalho empregado. O valor de uso determina também parte do valor de troca, porém este último é multiplamente influenciado. Pelo valor de uso de algo temos a valorização principal, o porquê daquilo, em essência, ter algum valor. E para atingir tal objeto e fazer seu uso, torna-se necessário o trabalho.
Ao longo da história, porém, a organização do trabalho muito poucas vezes se deu nesse sentido. Estando sempre carregado de desigualdade e de produção e reprodução de condições desiguais, o que mais ocorreu foi o trabalho ser destinado a parte fraca, visando o enriquecer de uma parte rica. Tal condição e desigualdade lhes descaracteriza, pois o coloca não como um fator de bem comum, de enfrentamento e melhora da realidade para todos, mas para o benefício de uns em detrimento de outros. Além disto, por estar voltado à produção de capital, quando este passa a ser possível de se reproduzir sem o trabalho humano, assim o faz, diminuindo empregos e o uso propriamente do trabalho.
Já de algumas décadas, tendo ganhado mais força a partir dos anos 1990, a ideia do fim do trabalho, com o aumento da automatização, vem ganhando fôlego e sendo visto como realidade. É em verdade algo que existe desde o começo do capitalismo, pois este ganha forma e fôlego com a revolução industrial, que com uso de máquinas aumenta as escalas de produção. Desta maneira, a relação entre máquinas e trabalho humano vem desde esse início. Embora tenha sido modificado, o trabalho humano mantém sentido, pois sempre termina sendo necessário.
O trabalho mantém seu sentido pois segue sendo ainda algo presente nas relações humanas, algo que sempre termina sendo necessário, mesmo que para reprodução de capital. Então seu sentido permanece por ser ainda uma necessidade vital humana, algo não propriamente ontológico, mas determinado materialmente. Se a automação parece remover o sentido de trabalho na geração de capital, por outro, uma enorme massa desempregada e faminta, caso os humanos ficassem obsoletos para o capital, seria algo que ameaçaria e tiraria a ordem social, o que obriga a manter formas de emprego. E o próprio trabalho em si sempre precisa da força e capacidade humana de alguma forma, por suas complexidades e variações. O trabalho permanece tendo sentido por ser ainda necessário, além de uma maneira dos seres humanos se organizarem socialmente para o enfrentamento da realidade. Materialmente falando, ainda é uma realidade concreta. Ainda que esteja apontando para uma piora, é também possível a modificação para melhora.
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