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Domingo, 16 de Agosto 2026
Literatura

E o vento levou

  O vento, entretanto, mostrou sua força mesmo na volta, principalmente para mim.

Ensaios Literários
Por Ensaios Literários
E o vento levou
Trecho BR-116; Imagem do Portal Gov.BR
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    Algumas coisas na vida nos remetem a frases ou títulos marcantes de culturas. O jeito que são ou a mensagem que carregam tem consigo, diretamente, um significado que vai reaparecendo, sendo reapropriado e, por vezes, ressignificado conforme vão aparecendo e surgindo. No meu caso, vou contar uma história que se aplica bem com o título do ainda icônico romance de Margaret Mitchell e o filme de mesmo nome de 1939: E o ventou levou. 
     Recentemente teve a festa de aniversário de um dos membros do Mutantes Motoclube na cidade de Pelotas, onde este mora e trabalha. Juntaram-se alguns daqui de perto em Eldorado e fomos, montamos o trem das motos e viajamos. Foi o encontro e festa em uma barbearia. Tudo correu bem, foi boa noite, bem aproveitada, com as tarefas cumpridas. Após o evento, fomos até o airbnb para dormir, voltaríamos no outro dia. E novamente montamos o trem e viemos. 
      Falando um pouco a respeito do clima, havia uma previsão de chuva na ida, que ocorreu quando já estávamos em Pelotas, tendo tido não mais que alguns pingos para ir. O vento, no entanto, era bastante forte, sentindo-o em cima da moto na ida, mantendo-a dentro do trem pela habilidade e força. Chegamos a fazer uma parada para colocar roupa de chuva, mas que no fim caiu pouca água neste trajeto final. Água caiu mesmo no começo da festa, fazendo com que algumas medidas de improviso tivessem de ser tomadas, incluindo maneiras inusitadas de manter uma lona presa e erguida.
      O vento, entretanto, mostrou sua força mesmo na volta, principalmente para mim. O trem da volta foi menor, com alguns membros tendo ficado em Pelotas para seguir com as festas. E voltamos em boa velocidade, com vento mais fraco, mas igual soprando em cima das motos. No meu caso, uso alforges laterais para carregar o que levo. O que não consigo amarro no banco de garupa. Mas a maioria das coisas vão dos lados. Como faziam antigos tropeiros, que penduravam alforges nos lombos dos cavalos que ficavam para os lados, normalmente levando comida ali. Faço o mesmo, mas em moto. E em vez de levar comida levo os objetos, como mochila, bomba de encher colchão inflável, coberta e forro de jaqueta. A jaqueta para motos usa por baixo um forro que serve para aumentar o aquecimento, o qual pode ser retirado. Neste caso, levei ele junto, mas, por não estar muito frio, fui sem ele, colocando no alforge. 
     Foi aí que veio a situação título pois meus alforges funcionam com zíperes, os quais, virados para a frente, de onde vem o vento mais forte por causa da velocidade da moto, e eles abriram um pouco. E como o forro da jaqueta é bastante leve, foi junto, o vento levou. Alguns que estavam atrás de mim no trem, ao pararmos disseram ter visto coisa minha voando. Já verificando os alforges naquele momento, vi que de fato ele não estava ali. Até olhei na mochila, mas também não estava lá. O vento levara. 
    De lá para cá consegui um novo forro e mudei os alforges para não abrirem mais. Porém, não deixa de ser um momento em que se aplica o nome do filme o vento levou. Foi uma boa viagem, mas com esta pequena questão. Mas serviu como base para este texto e este trocadilho que usei para escrever até aqui, lembrando de um pequeno evento e lhe dando mais forma. O título do famoso filme e romance acaba de ganhar mais um significado e uso, entre os vários que já tem.         

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