Querer ser profético é sempre arriscado, pois poucos possuem de fato o poder de previsão, de efetivamente enxergar o que ocorrerá no futuro. Os que fazem, como agora estou querendo fazer, constroem suas visões de futuro baseadas no presente, naquilo que estão vendo e para onde isto irá. Então é uma especulação do porvir em cima do que o presente, o já existente pode caminhar até lá. Neste caso, tentando entender o porvir político com as eleições se aproximando torna-se, em verdade, suprir as ideias e expectativas do que podemos esperar com os atuais candidatos, e o que mudará com cada um.
Neste texto falarei dos dois que efetivamente tem chance, e no que cada um representa e representará caso seja eleito. Isto é, Lula e Flávio Bolsonaro. Ambos se colocam como figuras ideologicamente muito distintas, e são, porém alguns pontos precisam ser vistos em relação ao porvir político neste sentido. Não vou aqui afirmar que são iguais, são realmente diferentes, porém estão inseridos em um mesmo contexto que pode manter Lula muito mais próximo das políticas econômicas que Flavio faria.
Para melhor explanar aquilo que estou a escrever, faço um breve apanhado da tendência político econômica do Brasil na última década. Até a queda da Dilma, a conjuntura econômica estava mais forte, se tinha maior espaço para um estado de bem estar social e uma série de garantias e direitos sociais, estando assim em melhores condições sociais. Porém, do governo Temer em diante, as vezes mais intenso outras menos, se vem fazendo um intenso desmontar do estado e das condições sociais presentes, favorecendo muito a concentração de renda e a piora nas condições da maioria.
Não é algo apenas do Brasil, mas sim mundial. Em vários países tem isto acontecido, com as condições e realidades nacionais respectivas. No caso do Brasil, isto se manifestou com uma série de reformas e flexibilizações trabalhistas do período citado até aqui. Tais processos foram visíveis na reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e vários desmontes e privatizações feitas de 2016 para cá, além do aumento da uberização, pejotização e informalidade.
Começou sistematicamente no Temer, teve sua força e impulso maior no Bolsonaro. Embora, a época, 2022, Lula tenha se colocado como aquele que mudaria e reverteria isto, em verdade, muito pouco fez em termos de maior investimento e fortalecimento do estado brasileiro. Além de não ter alterado em grande medida os rumos econômicos neoliberais anteriores. Em parte, por ter ficado com pouco poder político, mas também pela falta de maior projeto, isto é, alguma forma e organização política de fato voltada para combate de desigualdades sociais, de nova estruturação de governo e processos.
Em termos pragmáticos, haveria de se fazer a defesa de um mais forte e robusto estado de bem estar social, capaz de regular e coordenar melhor as atuais formas econômicas. Embora haja um aceno para tal retórica por parte lulista, ainda assim é bastante fraco, sem uma maior ideia. Coisa que teve em seus dois mandatos dos anos 2000 e por isso construiu sua imagem e força política perdurantes até hoje. E Flávio Bolsonaro isso completamente rejeita, sendo apenas o neoliberalismo puro e simples. Lula ainda projeta a imagem de seus méritos, mas estes não se repetem.
Então o maior problema, essencialmente, é a falta de um maior projeto social, isto é, que saiba usar politicamente a estrutura social para fazer-lhe mudanças. Um, Bolsonaro, isto completamente rejeita, sendo apenas um continuador. Outro, Lula, se diz, e até tenta, ir contra, mas lhe falta força e projeto para isso. Então, solidamente, a perspectiva social e econômica tem pouca diferença neste sentido. O desmonte do estado, da capacidade produtiva e industrial viria muito com o neoliberalismo bolsonarista, que deixaria o estado gradualmente mais fraco, deixando o país e seu poder de investimento menor. Mas Lula disto não muito se afasta, por ser um interesse político muito forte. Então o porvir econômico e social não muda tanto por estas perspectivas. Só mudará com um projeto nacional e social robusto.
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a visão da Agência 2CNews. Não corrigimos erros ortográficos de colunistas.
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