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Segunda-feira, 02 de Novembro 2026
Política

Trabalho: sentido e futuro

O trabalho continua sendo uma necessidade humana para sua organização, mas terá de a todos servir. 

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Trabalho: sentido e futuro
Tripalium romano; wikimedia commons
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  Embora a palavra trabalho tenha origem em um antigo objeto de tortura romana chamada tripalium, o qual servia para imobilizar animais e prender pessoas, o conceito e a centralidade dele passam a ir muito além. Embora seja uma coisa não prazerosa para muitos, tem ele até hoje uma centralidade no mundo e na organização humana. Outra palavra usada para isto, a qual não de uso tão comum, é labor, que etimologicamente significa trabalho, esforço. Que é hoje o sentido mais atribuído a palavra trabalho. Outra palavra bastante usada para trabalho, mas esta já em uma configuração social mais própria, é emprego. Emprego já é uma palavra construída naquilo que a sociedade demanda em termos de trabalho e que exige que seja feito. Cumprir tal demanda configura um emprego, um empregar de coisas. Em leitura sociológica emprego seria diretamente o ato de empregar, usar algo para atingir um determinado fim. No caso, o empregado é aquele que faz tal função, que emprega sua força para que este fim seja atingido. 
     O trabalho então possui um aspecto social na ideia de ser aquilo que transforma a realidade, que faz sair de algo para chegar em outro. Ao contrário do que afirma o protestantismo e alguns filósofos, não é o trabalho parte da ontologia humana, mas sim uma necessidade que se impõe, primeiramente, pela materialidade. Há uma necessidade material que obriga o ser humano a trabalhar, a fim de que possa sobreviver e, posteriormente, viver também, após atingir um melhor patamar. Tal base e realidade foi já moldada e feita de várias formas, muitas vezes injusta e desigual. Quando surge o capitalismo seu foco, como o nome até já indica, é a criação e circulação de capital. O qual, por um acaso, acaba precisando do trabalho humano para continuar se reproduzindo e circulando. No entanto, se tivesse como, deste trabalho se livraria, para poder aumentar e circular com ainda mais força. 
     Essa é uma contradição que vem já desde o começo do capitalismo, que tem seu principal advento com a revolução industrial e as novas formas e escalas de produção por isto geradas. Tal condição e produção cria o trabalhador moderno, que surge como empregado do capitalista ou burguês, dono dos meios de tal produção. Tal contradição tem sido a regra e organização do trabalho, mudando em algumas formas, tendo sido bastante agravada com serviços do estilo uberização e pejotização. Vendo tudo isto, no capitalismo, é o trabalho humano mais um acidente do que um projeto, algo do qual ele não consegue abdicar. Há então esta contradição entre o humano e máquina. 

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    Neste sentido, desde o movimento ludista, onde operários quebravam as máquinas das fábricas que viam tanto quanto aquilo que desempregara tantos que antes eram necessários para a realização daquele trabalho quanto pela relação de trabalho e das intensas jornadas que surgiam naquele novo trabalho, naquela nova forma e meio de produção. De lá para cá, sempre que aparece alguma nova tecnologia, a do momento é a IA, surge sempre está questão de se os empregos e profissões estão ou não ameaçadas e de como serão as coisas no porvir. 
      Com a ascensão da IA, talvez, tenhamos alguns avanços deste pensamento da extinção do trabalho no chamado setor terciário, onde predominam serviços e os chamados profissionais liberais, como médicos e advogados. Neste espaço, o que ocorre é que tais serviços, que não são apenas operacionais, mas considerados mais intelectuais, poderiam ser também substituídos pelas máquinas.
     Sem entrar muito em detalhes do porque não seria isto possível, podemos, entretanto, ver novamente os sentidos e a forma do trabalho sendo questionados, ameaçados por assim dizer. Então novamente se questiona o sentido e a permanência do trabalho. Ele continua sendo necessário para a produção de capital, por isso no sistema atual não irá sumir, mas poderá ser reinventado. E, num médio e longo prazo, seu sentido e orientação terá também de ser repensado e refeito, se voltando mais para a produção e bem estar, baseado em sua natureza e necessidade. O trabalho continua sendo uma necessidade humana para sua organização, mas terá de a todos servir. 
    

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