Desde a segunda metade da década de 2010 temos visto mundo afora uma forte onda neoliberal. Tendo o modelo surgido nos anos 1980, até então ali tivera suas raízes e, com idas e vindas, tendo se tornado o principal modelo econômico do capitalismo, teve uma nova forte onda a partir do período citado. Funciona essencialmente como um capitalismo ainda mais desregulado, com quase inexistente presença do estado em assuntos econômicos, além de destruição de coisas como programas sociais e políticas públicas para auxílios. Estava em contraposição ao estado de bem estar social que vigorou das décadas de 1930 a 1970. No qual havia maior intervenção, regulação e programas sociais que ajudavam a garantir melhor vida para populações, pelo menos nos parâmetros de um estilo de vida de classe média.
Entre as décadas de 1980 e 2010, houve algumas variações, em vários países. Focando no Brasil, na década de 1980 se teve o final da ditadura e o governo Sarney. O primeiro, recebendo os resultados do mau planejamento do “milagre econômico” da década de 1970, teve como consequência a hiperinflação do governo Sarney, talvez um dos maiores traumas coletivos do Brasil. Posteriormente, na década de 1990, com os governos Collor e FHC, se manteve um neoliberalismo. Embora FHC tenha contido a inflação, manteve uma agenda fortemente privatista e desregulamentadora que manteve tal onda e uma deterioração do salário mínimo, qualidade de vida e emprego, tendo altos índices de desemprego ao final de seu mandato.
Os governos Lula I e II e um pouco o Dilma I são um certo contraponto a vigência neoliberal que já vinha desde uns bons anos. No caso, se aproveitando tanto da onda rosa, que deu vários governos de esquerda na América do Sul, quanto de um fortalecimento econômico por causa do boom das commodities, entrou bastante dinheiro no Brasil durante o período, o que facilitou uma série de investimentos, de forte enriquecimento da burguesia, mas também de fortalecimento de programas sociais, o que contrariou o neoliberalismo, fornecendo mais estruturas sociais.
Porém foi isto algo temporário, que não mexeu nas estruturas sociais brasileiras. Então, ao passar deste momento, mais a partir do governo Dilma II, depois fortemente intensificado após a derrubada, com os governos Temer e Bolsonaro. Estes últimos promoveram um desmonte do estado, ondas de privatização e reformas, como da previdência e trabalhista. As quais precarizaram os trabalhadores. Quando há muito forte uma crise política e econômica, associada com uma piora na qualidade de vida, a tendência é que a sociedade se torne mais intolerante, mais retraída, resistente a algumas pautas. E também que haja maior concentração de renda, aumentando coisas como vigilância, controle e medidas sociais para conter ideias.
No caso brasileiro, ainda que o governo Lula III tenha sido eleito com uma promessa de alterar tais quadros sociais, muito pouco foi de fato feito. O neoliberalismo muito mais continua, em força maior do que nos anos 2000, pois há menor investimento em questões e programas sociais, focando muito mais em desestruturação. Assim, mantém e aprofunda tais situações, enfraquecendo o estado.
Neste contexto, Lula ainda é o que mais enfraquece o neoliberalismo, porém está cada vez mais refém disso. Porque em muito maior escala segue replicando as ações e caminhos nos quais vinham vindo Temer e Bolsonaro, desestruturando o estado, mantendo programas sociais ainda baixos. Mesmo com maior circulação na economia, por ter tido aumento de consumo, foram efeitos ainda baixos. Neste contexto, falta um maior projeto, uma maior contraposição ao neoliberalismo, que segue forte e determinando caminhos, tornando as sociedades em que está presente cada vez mais precárias. E se assim for, estaremos com cada vez mais pobreza e controle social, para manter tais pobres sob controle. E a precarização tende a aumentar neste porvir neoliberal, que está gerando situações mais precarizantes que nunca. Apenas com um forte projeto baseado na organização do trabalho será possível isso reverter.
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