Como pilares básicos da sociologia temos os autores Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim. Suas concepções acerca das relações sociais foram basilares para a elaboração científica do entender e estudar de tais relações, estabelecendo as bases fundamentais de tais estudos, entendimentos. São por isso comumente chamados de os três porquinhos da sociologia. Há, porém, uma quarta porquinha nesta história. Que seria a britânica Harriet Martineau. A qual foi parcialmente contemporânea de Marx e antecedeu Weber e Durkheim. Embora tenha vindo antes, compartilha com Durkheim a mesma base filosófica, que é o positivismo de Auguste Comte.
Este, enquanto pensador, foi dos primeiros a de fato elaborar uma ideia do funcionamento da sociedade. Foi mais além dos contratualistas como Rousseau, Locke e Hobbes. Os quais faziam uma noção de contrato, talvez de pacto social baseado num estado de civilização que domesticaria e melhoraria o ser humano em relação a seu estado de natureza. Comte fez, muito inspirado nas ideias da revolução francesa, um estudo mais aprofundado das relações sociais e da sociedade como elas eram, como funcionavam efetivamente. Sem buscar essencialmente um contrato social, busca entender a sociedade como algo cientificamente determinado, positivo no sentido de imposto pela experiência, e assim determinar como pode ser organizada com base na ciência.
Usando tal base, Harriet Martineau elabora algumas concepções de funcionamento das sociedades, também muito embasada em noções de valores e consensos sociais formados. Porém é bastante empirista, fazendo muito uso da observação, principalmente da moral e dos costumes. Embora em seu livro “Como observar a moral e os costumes” não trate propriamente de nenhuma sociedade especifica, embora ilustre aspectos de seu raciocínio com características de sociedades variadas, expõe maneiras que um viajante pode observar como é a sociedade que está visitando e sistematizar seu funcionamento. Como pesquisadora, fez ela estudos sobre a sociedade dos Estados Unidos em meados do século XIX.
Focando mais em seu método, baseada numa noção moral do que é bom e do que é ruim, apesar de entender que cada sociedade possui seus valores e estruturas. Neste ínterim, neste processo, cabe ao viajante despir dos seus preconceitos e valores para melhor observar aquele povo que está conhecendo, entendendo seus valores e cultura. Está assim fazendo uma mais apurada observação do que observa, conhecendo mais em profundo. Entre as coisas as quais pode ele observar estão envolvidos aspectos econômicos, estrutura social, comportamento em assunto diversos, costumes, arte e a condição feminina, entre outras. Esta última ganha uma importância para Martineau na medida em que revela uma série de relações e de questões culturais relativas a cada sociedade.
Como figura sociológica, Harriet antecipou vários conceitos que seriam posteriormente bastante caros a temática da sociologia. Que envolvem entender o funcionamento de sociedades diversas, baseadas em observação, estruturação e entendimento. Ainda é uma leitura sociológica rudimentar sob certos aspectos, pois não há uma concepção de como funcionam as sociedades. Se Marx escreveu antes o funcionamento das sociedades, sem a influência direta da sociologia, criou um método de análise mais completo e fundamentado: o materialismo histórico dialético. Martineau não chega a tanto, dando dicas empíricas para uma observação e entendimento da sociedade, mas sem a mesma completude de análise. Ainda assim, por ter visto como se pode observar e entender sociedades, um pouco sob a lente comtiana mas com uma abordagem bastante particular, é justo reconhecer seu papel como uma das moduladoras da sociologia, por ter feito uma análise social capaz de abarcar diversos aspectos das relações sociais. Será junto com autores como o próprio Auguste Comte e o alemão Georg Simmel, uma porquinha da sociologia que não compõe a tríade principal, mas que trouxe aspectos fundamentais desta ciência.
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a visão da Agência 2CNews. Não corrigimos erros ortográficos de colunistas.