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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Política

Falta de investimento

Mesmo a austeridade ainda permanece em grande medida no governo.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Falta de investimento
Reunião governo; Criador: Ricardo Stuckert
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     Desde o governo Temer, ali iniciado este ciclo, está o Brasi vivendo um desmonte de suas estruturas e capacidades estatais. Isso veio muito acompanhado de uma forte onda que aprofunda o neoliberalismo, auxiliado pelas pautas da extrema direita. Veio isto muito acompanhado do fato de se estar em mais um processo de desmonte do investimento estatal e das políticas públicas para as mais diversas áreas. É esta uma tendência do mundo, a qual ainda não está passando. Envolve muito um aumento da concentração de renda e uma crise profunda do capitalismo, a qual parece se afundar cada vez mais e mais. 
     Foi assim procedido, com pleno alinhamento ideológica, por Temer e Bolsonaro. Michel plantou a semente e estruturou tal forma de política, ao passo que Jair a aprofundou, chegando em reformas e ações que Temer não fizera, como a da previdência. Neste cenário predominante de austeridade, vimos um forte declínio da estrutura econômica brasileira e um definhar de diversos espaços, devido a se ter muito menos investimentos e incentivos para tais. O que faz com que cada vez menos gente no Brasil tenha acesso a estes recursos, ficando mais a mercê e mais abandonado. 
     Nesta situação e contexto, tendo pego um cenário de austeridade forte e declarada que era o governo Bolsonaro, Lula conseguiu mobilizar uma pauta em torno disto, pretendendo romper com este cenário e instaurar novamente as capacidades estatais, as quais tinham sido fortemente reduzidas, com muitos ministérios sendo reduzidos para secretarias, perdendo grande parte dos investimentos que até então recebiam. Com esta expectativa, que seria uma melhoria bastante importante, foi ele novamente eleito, haja visto que tinha aumentado e aprimorado os investimentos e capacidades estatais em seus dois primeiros mandatos. 
      Entretanto, tanto por lobby das empresas brasileiras mais poderosas quanto pela falta de um programa e ação de governo mais sólidos, tal ideia não foi até agora cumprida. Mesmo a austeridade ainda permanece em grande medida no governo. Se não é algo declarado e feito diretamente pelo governo, ainda assim tem uma postura de muito mais cortes em políticas sociais e investimento de setores do que propriamente de injeção dos mesmos. O teto de gastos, ao ser substituído pelo chamado arcabouço fiscal em si mantém a postura e ações do antigo, congelando os valores que podem ser investidos. 
       No começo houve algumas políticas e investimento, muitas delas voltadas para o aumento do consumo. Uma ação já feita por Lula em seus primeiros mandatos, que lhe rendeu bastante popularidade e um crescimento econômico, associado também com as commodities, que estavam em grande alta aquele momento. Agora tentou fazer uma ação parecida, porém acabou sendo de alcance muito menor. O que acaba deixando um governo mole, sem ideias e que fica refém do mercado, fazendo suas medidas econômicas as quais maior concentração na mão dos operadores financeiros e um estado com cada vez menos investimento e estrutura, uma vez que tudo se concentra na financeirização econômica. 
     Ao assim agir, cria o governo uma profunda decepção em seus eleitores, o que lhe enfraquece enquanto figura política. Fazendo com que uma parte bastante considerável do eleitorado brasileiro se volte para a extrema direita, a qual brada diariamente contra o governo e atribui os problemas sociais e econômicos a uma suposta agenda comunista deste mesmo governante e seu partido. Quando o que causa estes problemas é a mesma coisa que lhes criou no período Temer/Bolsonaro, que é a austeridade na economia e cortes na capacidade de investimento estatal. Mesmo prometendo com isso romper, na prática Lula mantém as posturas descritas acima, apenas usando de outro discurso. O que gera no eleitorado uma sensação de traição, que se mistura aos brados da extrema direita. Tal ação para não ocorrer precisaria da recriação da capacidade estatal brasileira, também lhe dando novos e mais robustos aspectos. O qual exigiria mais investimento e interesse, os quais tem se mostrado cada vez menores e mais enfraquecidos. Tal coisa precisaria acontecer, ou o Brasil ficará cada mais fraco e atrofiado gradativamente.

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