Quando se fala em sonhos, eles podem ser realizados, dependendo muito do quão realistas são. Podemos almejar e sonhar com praticamente qualquer coisa, mas nem tudo será realizável. Eu, por exemplo, tenho um sonho de conseguir voar sozinho, sem uso de nenhum equipamento ou nave. Tenho ele comigo, mas sei que é algo impossível. Porém, ao se avaliar profundamente os sonhos, conseguimos ir determinando sua concretude ou algo mais próximo dela possível. A qual muitas vezes pode nos fazer entender porque temos determinado sonho ou outro. Muitas vezes isso ajuda a torná-los mais plausíveis, o que os faz muitas vezes mais realizáveis.
Seja como for, quanto se tem um sonho e ele é algo plausível, possível, exige ele bastante cuidado por parte do sonhador. Pois pode ser derramado, perdido, mesmo quando já se estava no caminho para realizar. Para melhor ilustrar aqui o que digo, irei pegar emprestado a fábula da menina do leite.
Conta-se a história de uma menina que morava em uma fazenda com sua mãe, perto de uma pequena cidade. Todas os dias ordenhava ela a vaca que tinham, cujo leite servia para ela e sua mãe uma parte, o resto fazendo manteiga e queijo, também consumido apenas pelas duas. Era uma rotina diária, aquele sendo sua fonte de leite. Era pouco o produzido, dando apenas para a subsistência de ambas. Um dia, no entanto, a vaca produziu uma enorme quantia, conseguindo encher um grande cântaro que tinham ali, ao contrário do pequeno que todo dia ela enchia. Foi tão mais do que estava ela acostumada, que resolveu a menina ir até a cidade vender o produto na feira. Colocou o jarro na cabeça e foi caminhando.
Enquanto seguia o caminho, começou a sonhar e divagar com o que conseguiria com todo aquele leite e o que faria com ele. Já de imediato pensou que usando o dinheiro da venda compraria vários pintinhos. Os quais alimentaria diariamente, crescendo e engordando. Quando fossem frangos gordos os levaria na feira e venderia pelo melhor preço. Com o dinheiro das aves, por sua vez, compraria um leitão. E repetiria o processo, engordando o animal e lhe deixando com um valor rentável. Uma vez que valesse isso o levaria novamente para a feira, vendendo. Tendo o dinheiro, compraria agora uma vaca e um bezerro. Para se somar a que já tinham. Com isso aumentaria a produção de leite, queijo e manteiga, agora podendo também vender esses produtos, não ficando apenas para sua subsistência e de sua mãe.
Ia o caminho todo sonhando com isso, se elevando cada vez mais, num êxtase que só aumentava. Na metade, sonhadora e voadora, não percebeu uma grande pedra no caminho, tropeçando e indo ao chão. O cântaro que estava em sua cabeça foi junto, se espatifando em inúmeros pedaços, derramando e espalhando o leite por tudo. Ao se recompor e ver o que tinha acontecido, ficou a garota inconsolável, vendo todo seu sonho se derramar e espalhar ali. Começou a chorar copiosamente, indo assim para casa. Uma vez lá, ainda em prantos, viu a mãe. Que consolou a filha, dizendo que para que se realizem os sonhos é preciso paciência e atenção. Bem como calma.
O que torna tão boa esta história é como ela mostra que podem os sonhos se derramaram, se esvaírem caso não sejam perseguidos com cuidado. Quando sonhamos com algo e vamos em sua direção, precisamos saber onde pisamos, onde estamos e o que nos levará até ele. Pois senão podemos facilmente cair em armadilhas ou sucumbir a obstáculos. Pois isto é o que não falta em qualquer dos caminhos que tomemos na vida. Então, não adianta chorarmos os sonhos derramados. Temos que agir para que não derramem. E cheguem inteiros onde se realizarão.