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Sexta-feira, 10 de Abril de 2026

Política

Soberania nacional

Este julgamento é, em verdade, apenas um pretexto. A questão da interferência no Brasil é bastante mais complexa.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Soberania nacional
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Quando um país é soberano possui plenas decisões e poderes internos, podendo se organizar e agir da maneira que melhor lhe convier, pelo menos internamente. No plano internacional isso pode ganhar outras dimensões, envolvendo interesses diferentes entre países e formas políticas. Podendo haver grandes divergências, e imensas diferenças de poder entre uns e outros, pode-se facilmente se estar em relações de desequilíbrio e dominação. Com isto, facilita que o mais forte subjugue o mais fraco, em benefício de seus próprios interesses. Isto envolvendo interferências internas nestes mesmos países.
       Um histórico e visível exemplo disto é os Estados Unidos sob as nações da América Latina. O qual, desde a doutrina Monroe, mantém controle e domínio sob os demais países do continente. Tanto sob os latinos quanto sob o Canadá. Isto torna decisões políticas por aqui tomadas muito diretamente por ele influenciadas, além de, juntamente, conspirar e mesmo derrubar quando as políticas de algum país americano não lhe agradam. Não é assim tão simples, mas é um movimento real e comum do EUA este. Isto pode ocorrer em vários níveis. E é amparado pelo poder e influência que eles têm no cenário internacional, decidindo o rumo de vários locais e de políticas destes mesmos locais. 
       No momento, temos mais um episódio disto acontecendo, que é a taxação de 50% dos produtos brasileiros que forem para os EUA, sancionada por Donald Trump. Se usa como justificativa um descontentamento que Trump estaria tendo com o julgamento do ex presidente Jair Bolsonaro, o qual teve prisão decretada por envolvimento no 8 de janeiro de 2023. Que é um processo conduzido de forma legítima com resultados legítimos, uma vez que a tentativa de golpe de estado é crime previsto no Art. 359 do Código Penal brasileiro. Pois impede o funcionamento institucional e a condução nacional. 
     Não concordando com a condução de um julgamento em um país de leis soberanas, Trump teria feito tais tarifas como forma de pressionar e mudar a situação. Também aplicando sanções e restrições para ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, tais como suspensão de vistos americanos e bloqueio de cartões de crédito, pois são de empresas americanas. Tudo são armas de guerra, que não ameaçam pelo tiro, mas pelo domínio. Tenta ele interferir nas decisões internas brasileiras, as quais não competem nem a ele nem a qualquer não brasileiro. Foi também inflamado pela conspiração que o filho do Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro faz com diversas frentes da extrema direita internacional. 
        Este julgamento é, em verdade, apenas um pretexto. A questão da interferência no Brasil é bastante mais complexa. Envolve um forte descontentamento para com o aumento dos BRICS, que podem vir a comercializar entre si sem o uso do dólar, o que diminuiria o poder que tem esta moeda nas relações, diminuindo, portanto, o poder americano. E também posturas diversas que o país tem tomado, tanto por decisões do Lula quanto por questões do próprio estado brasileiro. É, essencialmente, novamente, uma tentativa direta de interferir nas decisões e rumos brasileiros, como Estados Unidos já fez tantas vezes em vários lugares diferentes. 
      Aí vemos um desafio e uma questão contra nossa soberania, nosso poder. O vemos desafiado, precisamos recuperar. Outro dos motivos que fez Trump fazer tão alta taxa aqui é por saber que teria apoio de parte dos brasileiros, tanto de políticos quanto da população em geral, conforme está acontecendo. Está tendo o governo algumas respostas. E o governo americano revogou algumas partes, como adiar de 1 de agosto para 7. E ter isentado vários produtos de tais tarifas, pois são mais consumidos por lá. É uma situação onde terá o Brasil de encontrar forças e negociações para com isto lidar. Mas será possível. Tem-se sinais de que se recuará e acertará.  

Pedro Fagundes de Borba

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