Jornal da 2CNews

Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

Política

Perda de poder do estado

 O Brasil tem vivido desde o governo Temer um período de forte austeridade econômica e social, a qual reflete diretamente...

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Perda de poder do estado
Michel Temer, que deu início a este processo; Flickr; Criador: Beto Barata
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Embora seja um ente fundamental para a organização e o bem estar social, frequentemente o estado é diminuído e considerado algo menor, que deve ser enxugado. Não raras vezes leva a culpa por problemas econômicos e mesmo pelo aumento da pobreza em algumas situações. Ocorre isto muito como uma maneira de diminuir os investimentos e a força pública, beneficiando os entes privados e seus detentores. Embora sejam eles também dependentes do estado para garantir as estruturas sociais e seu modo de vida, tem eles um enorme poder sob esse ente, o manipulando e controlando com questões econômicas e mesmo políticas, pois se mesclam muito esses aspectos e questões.
     Por vezes, quando há mais pressão e organização popular sob alguma demanda, se consegue fazer com que haja uma forte mobilização coletiva, que modifica ou acrescenta algum aspecto importante nas leis, na organização estatal como um todo. Porém tais demandas costumam ser esporádicas e normalmente pontuais, pois nestes momentos é uma grande pauta comum que une uma grande quantidade de setores da sociedade. Ao contrário do que já foi muito dito não são cegos os grandes movimentos de massa, mas sim unidos por alguma pauta. Mas tal pauta precisa ser profunda e bem organizada o suficiente para manter uma mobilização e coesão. Coisa em si rara de ocorrer, somente quando atinge uma pauta um grupo grande o suficiente para conseguir tal espaço. 
     Assim sendo, normalmente as grandes decisões políticas ficam concentradas em grupos muito pequenos, que concentram ali grande poder. Mas não é a estrutura do estado algo impermeável ao externo, tendo várias maneiras de usar ou de forçar mecanismos estatais para algo que possa ser feito, para alguma ideia defendida. Depende da mobilização e da disposição que tal mecanismo possa apresentar para fazer tal ação. Assim sendo se tem uma nova forma de administração e novas disposições no estado. É algo que exige uma vontade e um sentimento coletivo em torno desta ideia, mas é algo possível. 
       O Brasil tem vivido desde o governo Temer um período de forte austeridade econômica e social, a qual reflete diretamente na diminuição do poder do estado e também dos investimentos que o mesmo faz. Após o golpe na Dilma, feito, em grande medida, por ter esta se recusado a diminuir muitas destas capacidades do estado, o país passou a aprofundar tal modelo, com várias secretárias e ministérios perdendo apoio e investimento, prejudicando e empobrecendo suas respectivas áreas. O esporte mesmo foi bastante afetado, tendo tido várias secretárias estaduais reduzidas. Mais ainda a cultura, que foi reduzida a uma pasta do ministério do turismo em um período. 
       Começou no Temer, foi muito aprofundado no Bolsonaro. Em 2022, sentindo a austeridade e recessão de tais medidas a população comprou com mais força o discurso lulista, que dizia que romperia com este quadro, recuperando os investimentos e capacidades estatais. O que o elegeu naquele ano. Porém, este rompimento não veio. Houve, mais no início, onde houve algumas retomadas de investimento público, recriação de alguns ministérios, como o da cultura mesmo. Então havia uma aparente retomada desta robustez e força, uma disposição governamental para isto.
        No entanto, se prometeu rompimento com a política econômica anterior, não houve rompimento, e sim continuidade. A falta de um mais sólido projeto político que rompesse com esta postura faz com que o governo Lula fique muito mais fraco do que deveria em termos de estruturação de poder político e capacidade de gerenciamento governamental. Essencialmente falando, a questão é que segue o povo sem ter um estado presente, capaz de gerir e de colocar melhores condições sociais para este. Falta ainda algo maior, mais investimento e financiamento nas mais diversas áreas, o que faria uma nova gestão e fortaleceria tal governo. E também conseguiria aproximar das promessas de se terminar a austeridade fiscal e econômica que vem desmontando o país há quase uma década. Como país, nesta condição, ainda pouco conseguimos desenvolver e fortalecer.     

Pedro Fagundes de Borba

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