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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

Literatura

O cronista

Nisto a crônica, ao falar de seu assunto, traz a força literária para sua forma, remetendo ao que há de mais belo...

Ensaios Literários
Por Ensaios Literários
O cronista
Paulo Santana, cronista gaúcho; Reprodução
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   Ao partir ontem, 30/08/2025, o escritor Luís Fernando Veríssimo, se perde um dos autores brasileiros importantes e neste, em particular, no segmento da crônica. Como parte do gênero jornalístico, sendo um texto breve e, de muitas maneiras, singelo, é uma injeção rápida e simples do literário, aplicado a banalidades e cotidianidades. Parecem algo apenas simples e passageiro, porém ao falarem de coisas tão diárias e corriqueiras tocam em algo que termina sempre nos permeando, sempre algo presente em nós.
   Nisto está a beleza e o grande poder literário do cronista. Veríssimo tinha se consagrado neste estilo aqui, sendo um dos mais aclamados do Brasil. Especialmente por ter tido um apreciado senso de humor. Particularmente não era um estilo muito agradável para mim, sendo mesmo chato. O olhar dele sobre as coisas muitas vezes era apenas sem graça, uma visão que refletia um certo estereótipo de classe média que olha para as coisas pensando ver grandes profundidades, mas é apenas algo modorrento e comum. Apesar disto, conseguiu se consagrar como autor. E não quero desmerecer isto, apenas mostrar que sua visão textual não chegava tão longe. Porém o foco aqui é o de mostrar que a crônica é um forte e importante gênero e que se coloca como uma forte expressão do Brasil. 
    Falando essencialmente do cronista, tivemos alguns nomes bastante importantes neste segmento, destacando Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Clarice Lispector, Paulo Santana e o próprio Luís Fernando Veríssimo. Além das produções de crônicas feitas por autores mais consagrados em outras áreas da escrita, como Machado de Assis, Vinicius de Moraes, Caio Fernando Abreu, Ruy Castro, Rachel de Queiroz e outros, incluindo a própria Clarice. É uma forma de escrita com forte raiz no Brasil, não apenas por ser um pouco mais acessível, já que é curta, simples e sai nos jornais, não precisando comprar um livro inteiro para lê-la, mas por seu próprio estilo. Na atualidade ainda tem nomes com força, como Rodrigo Casarin, Antônio Prata, Yuri Al Hanati e Fabrício Carpinejar. Este que vos escreve também possui sua veia cronista, mas ainda é mais ensaístico. 
    Nisto conseguimos ver a marca do dia a dia, do quanto assuntos um tanto mais corriqueiro possui uma densidade literária, uma capacidade de mostrar as coisas mais fortes e belas da escrita, mesmo nos mais improváveis contextos. Pois ali se está apenas vendo as coisas banais, notícias, aquilo que se vê e ali se coloca, se propondo uma visão mais particular das coisas. Particularidades essas que vão ser colocadas e refletidas na sua forma de expressão, naquilo que é colocado. Nisto a crônica, ao falar de seu assunto, traz a força literária para sua forma, remetendo ao que há de mais belo, profundo e misterioso no mundo. Os quais se manifestam ali em pequena dose, remetendo a força literária nas coisas da vida ordinária e comum.   

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