Jornal da 2CNews

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2026

Política

Fraude do INSS

Agora estourou o escândalo das fraudes do INSS, onde eram feitos descontos mal ajambrados nas aposentadorias...

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Fraude do INSS
Logo INSS; Imagem: reprodução
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  A corrupção é um problema bastante antigo e muito entranhado no estado brasileiro. É comumente usada como mantra ideológico, especialmente por parte da direita, como maneira de tentar arrebanhar pautas e ideias, usando a corrupção como base. E funciona, muito por ser ela indefensável, gerando um capital político para quem abraça ideais anticorrupção. É, essencialmente uma demagogia política, a fim de conseguir apoio. Porém, isto não torna o ato corrupto correto. 
     Agora estourou o escândalo das fraudes do INSS, onde eram feitos descontos mal ajambrados nas aposentadorias que eram repassadas para associações, como forma de desvio. Desvio de dinheiro é uma das mais básicas e fortes formas de corrupção no Brasil, por envolver dinheiro diretamente e poder ser feita em vários níveis de sofisticação. Fazer descontos em aposentadoria em nome de supostas associações é já um nível considerável de sofisticação para tal fraude. 
     Pelo apontado pelas investigações, tal prática teria começado em 2019, no governo Bolsonaro. E teria vindo de lá para cá. Atravessou todo o mandato do Jair, continuando agora em Lula. Como foi pego agora pesou mais a mão para Lula e a esquerda de um modo mais geral. Especialmente também para o ministro Carlos Lupi, do PDT, ministro da previdência social e em vias de demissão, devido a suas ações e ao escândalo gerado. É algo que acaba pesando bastante a mão ideologicamente, até por a direita usar muito o mantra de anticorrupção, mas é bem mais fundo e complexo do que isso. 
      Porque embora possa ser feita em várias maneiras, é a corrupção um fenômeno feito diretamente para com o estado. É algo feito para conveniência própria ou de algum partido, dependendo do contexto. Ou até para terceiros ligados a estes, como no caso agora das fraudes do INSS. Que refletem diretamente a questão de acabar sendo usados recursos públicos para fins privados. É um forte problema na política brasileira, não o maior, o qual é a estrutura desigual de sua sociedade. Mesmo que não houvesse corrupção, com o desenho e arcabouço institucional que tem no Brasil, pobreza desigualdade e falta de infraestrutura continuariam existindo, pois não foi o estado brasileiro desenhado e feito para corrigir e acabar com tais problemas. 
      O rombo deixado por tal desvio na previdência, descontado dos aposentados durante anos, é algo que dificilmente será novamente preenchido. Por causa do próprio desinteresse real que há nisto, sendo algo que não mobilizaria os políticos e o estado. A população pode ser com isso mais incisiva e exigir com força os reparos disto, forçando uma mobilização. Porém, dependendo apenas da burocracia e organização, e não ser algo politicamente interessante para envolvidos, é um tanto quanto improvável que venha isto a acontecer. Houve uma proposta de isso ser dividido entre a população, mas no fim isso a lesaria mais, por que pagaria por corrupção governamental. Então acabará apenas ficando o rombo mesmo.
      Como ação corrupta, é mais um caso que acontece no Brasil. Foi pego um dos atos, muitos outros são feitos e acabam não sendo pegos, dando tamanha repercussão. Mas é apenas mais um dos vários, que fazem parte dos problemas que estão na organização e lógicas do estado brasileiro, além da cultura. Na lógica que está muito ligado ao capital e as questões financeiras, sempre acabará criando brechas para que se gere corrupção, pois é algo relativamente fácil de fazer, sempre tendo esquemas para se criar e difícil de combater, tanto pela via judicial quanto policial. A cultura política e econômica privilegia muito tais tipos de ações, fazendo com que elas acabem compensando, principalmente na proporção de esquemas que são pegos e desmontados. Carlos Lupi e o atual governo tem responsabilidade na questão do INSS. Mas não começou com eles, já vindo de antes. O problema está bem mais fundo. 

Pedro Fagundes de Borba

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