O poeta catarinense João da Cruz e Sousa, consagrado como o grande poeta simbolista no Brasil, trouxe uma originalidade e uma imagética e uma simbologia extremamente marcante em seus versos. Escrevendo dentro de um gênero caracterizado por imagens, por criar imagens que simbolizem uma angústia ou um profundo sentimento do poeta, Cruz e Sousa conseguiu não apenas criar imagens como fazê-las de maneira única, com uma imagética forte, que cria sólidas e visíveis criações visuais, ainda que apenas as descreva. Ao mesmo tempo em que mantém seus significados, é algo sólido e subjetivo em uma só peça, formando um todo magnífico. Tal visibilidade dá a poesia dele a mais alta qualidade dos versos, a densidade típica dos grandes versos, que sintetizam significados gigantes nas poucas frases e palavras contidas nestes versos.
Com uma difícil e tensa história, Cruz e Sousa teve dois temas em sua poesia e obra. Filho de escravos alforriados, nascido em 1861 em Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) foi educado pelos ex senhores, que acabaram por lhe dar uma refinada educação. Um pouco motivado, talvez, pelo fato da esposa deste senhor não possuir filhos. Foi também aluno do naturalista alemão, que depois se tornou brasileiro, Fritz Muller. Assim conseguiu uma educação acima da média. Que a dos negros escravos, sem dúvida, mas também do povo brasileiro como um todo, que tinha acesso bastante restrito a educação naquele tempo.
Já na década de 1880 se tornou fortemente contra o racismo e fez publicações nos jornais sobre, bastante sob o caldo político abolicionista e republicano da época. Tentou ser promotor público em Laguna, mas foi impedido por ser negro. Saiu então de Santa Catarina e foi para o Rio de Janeiro, se tornando uma figura relativamente conhecida. Tuberculoso, foi a Minas Gerais tratar, mas faleceu em 1893, aos 32 anos. Foi tanto simbolista quanto antirracista, lutando contra o tipo mais forte que existia na época, a escravidão.
Enquanto simbolista, teve a capacidade de criar imagens muito fortes, que ganham quase uma solidez, de tão bem construídas. Pois remetem a ideias tanto de amores perdidos, obsessões despertadas por algumas mulheres, sentimentos religiosos, redenção, e outros temas. Em todos, permanece uma imagética que dá solidez ao que descreve, parecendo algo concreto aquilo subjetivado. Ou a imagem real remete a vários aspectos daquela subjetividade, criando algo muito poderoso. Forma-se uma unidade refletindo tais sentimentos, juntamente com a capacidade de poetizar e tornar mais fundos os sentimentos concretizados, ali postos. Conseguiu por o simbolismo em sua beleza máxima, criando símbolos que não apenas remetem, mas são os próprios sentimentos.