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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026

Política

Valor trabalho

Em verdade muito mais o valor determina o trabalho do que o trabalho determina um valor.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Valor trabalho
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Um dos mais importantes aspectos da organização social atual é a relação entre valor e trabalho. Em muitos sentidos, o quando o primeiro é determinado pelo segundo, mas também o que faz algo ser valorizado, haver uma demanda por aquilo. Em outras palavras, qual valor justifica um tanto de trabalho aplicado para se atingir determinado fim ou fazer tal objeto. Em verdade muito mais o valor determina o trabalho do que o trabalho determina um valor. Pois é para se atingir um determinado valor que se aplica uma quantidade de trabalho. Serve então este trabalho para se atingir aquilo buscado.

A divisão social do trabalho tem aumentado e se modificado bastante. Sua base atual surgiu no século XIX, com a ascensão da burguesia como classe dominante e a consequente formação do capitalismo. Nesta jogada a divisão social do trabalho se organiza propriamente pela diferenciação entre a execução do trabalho pelos trabalhadores e, em alguns sentidos, a organização e determinação do valor de cada, por parte da burguesia. Hoje em dia, com o aumento cada vez maior do capital financeiro, esta divisão também se modificou. Através do contrato de gestores, CEOs, gerentes a parte de planejamento e gestão fica cada vez mais proletarizada por assim dizer. Ao invés de ser este trabalho diretamente executado pelo capitalista, este cada vez mais passa a usar o capital para empregar os que farão a gestão da empresa. Isso mais no caso de grandes companhias, que detém enorme poder e influência política. Notoriamente cria-se mais uma cisão dentro do trabalho, o que afeta diretamente o valor envolvido.

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Nesta cisão, a questão do valor trabalho fica difusa, se aparta. Pois, uma vez que o valor não está, muitas vezes, associado ao trabalho aplicado, mas sim diretamente no valor, caso da financeirização, se tem uma pulverização desta relação. Pois fazendo a aplicação financeira é valor sob valor, sem o peso e o lastro do trabalho. O que também termina sendo prejudicial socialmente, pois o dinheiro fica cada vez mais financeirizado, fazendo com que investimentos em coisas concretas e/ou políticas sociais seja cada vez menor e afaste o interesse, pois termina sendo mais rentável aplicar o dinheiro do que usá-lo para construir algo.

Quando a relação valor trabalho fica desta maneira tão distante, se tem um problema social denso e com uma solução difícil. Pois se a função primordial do trabalho é construir algo almejado pelo valor, conforme este trabalho vai sendo feito sem que este valor esteja corretamente organizado e orquestrado juntamente com este trabalho, se faz com que tal valor, que continua existindo e crescendo, fique restrito aos que tem sobre ele maior controle, os quais estão muitas vezes dissociados deste mesmo trabalho, tanto intelectual quanto manual, considerando que ainda haja fronteiras entre os dois.

Nessa dissociação entre o valor e o trabalho, caso o primeiro crescesse sem o segundo de maneira a reverberar social e coletivamente, seria bastante positivo. Uma vez que o valor estaria diretamente associado para com aquilo que se auto agrega, sem diretamente a necessidade de trabalho, o qual seria apenas um meio. Porém o que de fato acontece é tal valor se acumula cada vez mais na mão de menos gente, enquanto recai o trabalho sobre uma grande maioria que dele necessita para viver, de um ínfimo valor que está nele agregado. O que cria uma cisão social a qual está cada vez mais funda. Uma reformulação da relação entre valor e trabalho se torna necessária muito por isto.

FONTE/CRÉDITOS: Bigorna e martelo; Pixnio
Pedro Fagundes de Borba

Publicado por:

Pedro Fagundes de Borba

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