Uma tática muito usada para desestabilizar governos, permitindo uma alteração política em algo que segue determinado rumo, fazendo com o que o desestabilizador ganhe poder é a chamada revolução colorida. Na qual, ao invés de apelar para armas ou ataques militares diretos, é feito um processo interno para causar caos, tensão política e instabilidade. Para que seja feita, faz já uso de contradições e tensões existentes dentro da sociedade alvo, que no momento estavam mais apequenadas ou sob um determinado ordenamento que as conduzia de determinada forma. Pegando nos pontos delicados de tais contradições, isto permite que sejam elas atiçadas afim de desestabilizar a força principal, o governo no caso.
O melhor exemplo recente é o Euromaidan ocorrido na Ucrânia em 2013, como maneira de desestabilizar o país que estava com um governante aliado da Rússia. Assim ele seria derrubado, como foi, e permitiria ao ocidente chegar mais próximo, colocar seus interesses de maneira mais direta. Neste caso, até por se opor a um país poderoso, a Rússia, as tensões se escalonaram e se aprofundaram, levando isto a de fato se tornar algo militar que, em 2022, chegou à Guerra da Ucrânia, ainda em andamento. Um pouco antes disto teve a Primavera Árabe, a qual derrubou vários governos dos países árabes. Como Mubarak do Egito e o nacionalista Gaddafi na Líbia. No caso do último, se destruiu uma estrutura social como o país ainda não havia visto.
Estes são dois exemplos fugazes e diretos de revoluções coloridas recentes. No Brasil houve na mesma época e contexto um movimento que poderia ser visto como outro exemplo de revolução colorida, embora não tenha ocorrido da mesma forma nem tenha tido resultados tão diretos quanto os anteriormente citados. Que são os movimentos de junho de 2013, no qual também houve grandes manifestações contra a presidente Dilma, já falando em derrubada. Se aproveitou de um ressentimento e de uma oposição que se fazia aos governos e a política do PT desde o primeiro mandato de Lula, sempre associando a uma ideia de corrupção.
Juntando vários assuntos de maneira até um pouco anárquica, tendo o aumento da passagem de ônibus em São Paulo como base inicial, se espalhou por todo o Brasil, sem ter uma grande pauta especifica. Até hoje se debate se foi algo surgido de uma revolta espontânea ou se foi desde o começo orquestrado. Independentemente, foi apropriado por movimentos da direita que ali usaram como base para orquestrar a política posterior. Se enfraqueceu bastante o discurso petista de uma justiça social baseada em programas do governo, se deu força a think tanks liberais, do qual o principal fruto foi o MBL, que teve papel ideológico forte na derrubada da Dilma em 2016 e na eleição de Bolsonaro em 2018. Ali se criou uma guinada de austeridade econômica, que foi amenizada por Lula, porém bem pouco.
No mesmo ano em que Bolsonaro foi eleito no Brasil, o México dava outra guinada. Ao invés de aderir e continuar a austeridade que estava presente desde Temer aqui, se deu início nas terras mexicanas a um projeto de esquerda, a quarta Revolução. O único, ainda, sólido na América Latina atual. Bastante similar as medidas Lulo petistas do primeiro e segundo mandato, os quais, junto com a conjuntura econômica, criaram um estado de bem estar social no Brasil que foi posteriormente desmantelado. Agora em 2025 está havendo no México alguns protestos contra o governo, que talvez se apequenem, mas talvez não. Se usa retórica de geração Z, mas poucos manifestantes pertenceriam a esta geração. Parece o cenário de 2013, com vista a desestabilizar um projeto político mais igualitário, que conteste a lógica do capital. Assim seria mais uma protorrevolução colorida. É um momento tenso, o qual Claudia Sheinbaum terá de mostrar liderança, lidar e enfraquecer, mantendo a força da quarta transformação.