Como uma das primeiras formas de se fazer um estudo social a partir da natureza das relações sociais reais, ou seja, buscando construir um entendimento social observando o que realmente acontece e as coisas se organizam, tem o positivismo uma contribuição muito importante. É uma das principais correntes filosóficas do século XIX, talvez a que melhor falou com o espírito da época. Num contexto de ascensão da burguesia e da mudança das relações e organizações sociais que vinham dos séculos passados, surgiu o positivismo.
A palavra positivo possui diversos e diferentes significados. Embora o sentido comum mais aplicado hoje em dia seja o de algo bom, algo certo de ser feito, há outros. Um dos seus sentidos originais é o de algo convencionado, estabelecido por convenção. Ainda é um sentido bastante usado no direito, sendo o direito positivo um direito que surge pelo estabelecimento de determinada lei, em oposição ao natural, que apenas existe. Porém, o usado no contexto do positivismo é o de algo que é imposto a mente pela natureza. Uma ação, uma observação, uma constatação de ser algo real pois é factual, ocorre concretamente e pode ser demonstrado. Quando se bate o mindinho do pé em uma quina afiada, dói muito. Então pode-se afirmar positivamente que bater o dedo ali é muito dolorido.
No século XIX, o que fizeram os positivistas foi observar a sociedade de uma forma considerada à época cientifica. Observar suas relações, sua organização e suas formas de ser. Muitas vezes usando formas de e pontos de vistas das ciências naturais, como a física e a biologia. Ainda não possuíam muito bem estabelecidas as particularidades das ciências humanas. Era um processo de cientificizar o entendimento do mundo, se livrando dos dogmas e preconceitos religiosos que obscureciam tais entendimentos. Por ser algo baseado em algo que era imposto a mente pela experiência, só era considerado real se pudesse ser demonstrado empiricamente. Deus e a metafísica eram excluídos desse processo, pois não podem ser demonstrados diretamente no empirismo.
Com esta forma de pensamento, especialmente Auguste Comte, criou uma forma de se pensar e reorganizar a sociedade. Muito mais do que a entender e estuda-la havia diretamente este aspecto de reorganizá-la, afim de que se tornasse científica e positiva. Comte foi assim uma importante base para o surgimento da sociologia, ao buscar este entendimento empírico da sociedade e seu funcionamento. Que contrastava com os contratualistas, os quais propunham simplesmente uma forma de organização social baseada num entendimento geral sobre o humano e sobre as sociedades, buscando o estabelecimento de um pacto entre cidadãos e um governante.
No final do século XIX, tendo Comte como base Émile Durkheim refinará o processo de estudar e entender as relações sociais e fatos sociais, bases da sociologia. Nisto, faz com que haja uma forma de entender a sociedade baseada em seus fenômenos, fatos e organização. Ainda possuía raízes no positivismo, porém já era ele bastante modificado. Já não havia tanto sua ortodoxia de tudo ter uma necessidade empírica.
Mesmo com suas limitações e mesmo uma visão um pouco estreita em relação a diversos assuntos e pontos da vida e existência, é o positivismo um movimento e uma forma de pensar bastante importante. Pois trouxe uma base para o entendimento social, maneira de fazer com que isto fosse estudado da maneira que é, e não como deveria ser. Já foi aprimorado, mas teve bastante importância.
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