Por ser um produto bastante valorizado, tornou-se o petróleo algo bastante disputado entre os países, desde que adquiriu valor como combustível. Por ter tal valor, tornou-se uma comodity bastante disputada. Isso refletiu diretamente na política de vários países que possuíam tal recurso. Alguns dos mais abundantes neles são os países árabes e a Venezuela. Este último, por estar em tal condição, sempre teve um cerco e um controle próximo dos EUA, que pegava tal recurso por suas companhias, deixando a Venezuela fraca, com fortes índices de pobreza.
Este vértice político-econômico foi, e ainda é para a governança venezuelana, a qual sempre gira em torno deste produto. Principalmente por ter a chamada doença holandesa, condição econômica na qual um país possui um único recurso econômico forte para uso. No caso da Venezuela, o petróleo. O qual é algo sempre muito disputado e instável. Ao longo do século XX o país experimentou vários governos, alguns ditatoriais, mas sempre voltadas para a entrega de petróleo aos Estados Unidos. Neste sentido, entre 1958 e 1988 tivemos um pacto político interessante, chamado Pacto de Punto Fijo. No qual dois partidos de direita se revezavam, mantendo a mesma política de venda de petróleo. Foi feito para manter certa estabilidade no país após a queda do ditador Marcos Perez Jimenez. O resultado era desfrutado por um seleto grupo de elite, enquanto uma grande pobreza assolava o povo. A qual, no final da década de 1980, atingia um patamar de 85%. O que levou a um desgaste político e insatisfação. Foi até um dos fatores que levaram a projeção política de Hugo Chavez.
Chavez conseguiria, após várias idas e vindas na década de 1990, atingir o poder em 1999, com uma vertente fortemente nacionalista. Embora tenha usado o termo socialismo do século XXI, em prática suas políticas muito mais se assemelhavam a um estado de bem estar social capitalista do que necessariamente uma revolução socialista. Nunca houve a abolição da propriedade privada no país, com exemplo. Nem uma planificação econômica. Foi muito mais uma centralização do estado na gestão petroleira, bem como um aumento do planejamento, do que necessariamente uma mudança de sistema político econômico. Assim, ao longo da década de 2000, durante a onda rosa, aliado ao boom das commodities, entre elas o petróleo, Chavez conseguiu verter muito deste dinheiro ao país, melhorando e criando várias estruturas sociais e investindo em programas sociais. Sempre com ferrenha e forte oposição interna, mas com grande popularidade. Através também de expropriação de multinacionais, juntamente com o fortalecimento da estatal de petróleo, a PDVSA, conseguiu fazer com que os recursos do petróleo ficassem efetivamente no país, fossem melhor distribuídas.
Após sua morte, no entanto, subiu Nicolas Maduro, por Chavez indicado, mas sem nenhum grande talento político real. O qual tentou manter a mesma postura, porém já num contexto bem mais desfavorável e uma desvalorização do petróleo, somadas as inúmeras sanções aplicadas a Venezuela. Fazendo com que surgisse uma crise que oscilou durante o governo de Maduro, as vezes as condições subindo, outras baixando. Com sua captura, se cria um cenário de dominação do país pela parte de Trump. O qual irá fazer o controle do petróleo no país, extraindo a riqueza para petroleiras americanas e seus acionistas. Não pretende mudar a estrutura de governo, ver se evita guerra civil. Mas manterá este domínio do país e seus recursos.
Pensando essencialmente na questão do petróleo, de forma mais direta, o caso da Venezuela se encontra em ter um controle e valor interno dele mais fraco, com sua estatal sendo menor do que devia. Pensando em estatais como a Petrobras do Brasil e a Pemex do México, há um controle bastante maior do recurso. Ainda ficam muito a mercê de multinacionais, mas já com um poder próprio bem maior. Porém, o principal problema econômico da Venezuela é sua total dependência econômica do petróleo, sem outros recursos ou organização econômica para explorar. Um maior desenvolvimento de setores e diversificação a tornaria mais forte, mais independente. Podendo focar mais em si sem depender tanto das flutuações internacionais. Sem isto, continuará sendo sempre dominada e disputada.