A morte do Papa Francisco, primeiro papa jesuíta e ibero americano, encerra um período de grande história no papado e também põe em xeque uma série de posturas e medidas que a Igreja veio adquirindo sob seu comando. Vivendo também em um tempo onde novas ideias e concepções veem, o Papa soube entender o que elas tinham de bom, associado com o Evangelho. Não o diminuindo, mas entendendo sua relação com o porvir. Ao assim fazer, reforça o que há de permanente em Cristo, não o matando, mas o fazendo brilhar mesmo com o passar do tempo e com as mudanças advindas.
A Igreja Católica já havia passado por algumas mudanças nos concílios do Vaticano I e II. Como antes disto tinha tido várias outras mudanças, sendo já bastante diferente da do tempo de Constantino, mais ainda que de Jesus. Muito disto ocorre pelo fato de que conforme as coisas se alteram, muito acaba tendo de ser mudado junto. Isto acontece majoritariamente porque quanto mais se sabem coisas e elas vão se tornando outras, aquilo que há de mais profundo ressurge.
No caso do Papa Francisco, ao fazer uma opção e uma postura mais voltada para os pobres, coisa que já não ocorria pelo menos desde João Paulo I, tornou a Igreja um tanto quanto mais aberta, tendo mais posição não apenas para programas sociais e de caridade, como também mais posturas para o enfrentamento, entendendo as contradições políticas e econômicas de diversos países, bem como novos entendimentos quanto a questão de costumes. Entre elas uma maior aceitação de casais homossexuais, o que lhe deu uma visão de que, ao final, trata-se de algo real, que deve ser reconhecido.
Foi um período em que o Papa tomou tais posturas, tendo assumido pouco antes de começar a onda da extrema direita pelo mundo. O que mostra um momento em que a Igreja foi mais aberta e progressista, enquanto muitos políticos conservadores foram conseguindo poder. Neste momento, até porque a onda da extrema direita ganhou outro fôlego com a reeleição do Trump, o qual tem interesse em influenciar na decisão de um novo papa, pode-se voltar a uma postura conservadora. Talvez aquilo criado por Francisco não se torne tão fácil de se desmontar, mas corre-se o risco de se tomar medidas que troque o caminho, se torne mais voltado para uma visão reacionária. É um momento chave, que terá seu porvir após o novo conclave, e a ascensão de um novo papa.
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