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Sexta-feira, 01 de Maio de 2026

Política

Derrubada de Maduro

Sobre o ataque em si, é uma completa violação de todo e qualquer direito internacional...

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
Derrubada de Maduro
Instalação venezuelana bombardeada; Criador: Luis Jaimes/ AFP
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Na madrugada de 03/01/26 o governo Trump realizou bombardeios na Venezuela e afirma ter capturado o presidente Nicolas Maduro, para julgar nos Estados Unidos. Era algo que já vinha sendo pensado pelo governo americano há muito tempo, desde a revolução bolivariana liderada por Chavez. E sempre houve certo apoio interno de opositores, como Maria Corina Machado. Tal interesse se coloca pela questão especialmente do domínio do petróleo por lá, e também um domínio geopolítico direto colocado.

Falando especialmente sobre o aspecto de domínio geopolítico, ele não é tanto na Venezuela especificamente, mas na América Latina como um todo. Somos a parte do mundo mais diretamente vigiada e dominada pelos Estados Unidos. Eles fazem isso em outras partes do mundo também, porém aqui é o ponto nevrálgico, o local onde mantém a mais forte vigilância e controle. Para a manutenção de seu poder, é isso importante tal postura. Mantendo tal área sob seu controle, aumentam o poder. No caso venezuelano, para além deste ponto referente a todo o subcontinente, há também a questão do petróleo que sempre foi um recurso vital politicamente. Vide os constantes ataques políticos feitos no Oriente Médio.

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Sobre o ataque em si, é uma completa violação de todo e qualquer direito internacional, não tendo qualquer sustentação ou brecha para um ataque deste tipo. É apenas poder político, e uma vital demonstração dele. E não há qualquer retaliação de órgãos de direito mundo afora, estes tendo pouco ou nenhum poder para isto. Além de uma completa violação da soberania venezuelana. Sendo uma demonstração de poder, essencialmente, mostra que pode acabar expandindo tais ações para outros locais. Entre eles o Brasil. Um fortalecimento soberano e movimentos de oposição a intervenções será necessário para fortalecer a cultura política nacional, dificultando ações como esta.

Em relação a Nicolas Maduro, falando diretamente, foi alguém que pegou uma estrutura em transformação, uma revolução em andamento como definiu Hugo Chavez, e acabou sendo um governante fraco. Assim como seu antecessor, que o indicou ao poder, Maduro em seu governo também enfrentou inúmeras sanções e boicotes internacionais. Porém não teve o mesmo poder e habilidade do antecessor. Se Chavez fez inúmeras políticas e governanças que melhoraram vários índices no país, como redução do analfabetismo e um forte desenvolvimento nacional, Maduro não teve a mesma habilidade, o mesmo jeito político. Além de ficar mais vulnerável na política externa. E foi ilegalmente derrubado em sua vulnerabilidade.

Em termos de ação política, é a mesma feita em países como Síria, Libia, Afeganistão e Iraque. É uma operação voltada para domínio de importantes recursos como o petróleo. O qual infames opositores, como Maria Corina Machado, já manifestou apoio de “abrir tudo” para os Estados Unidos. O que demonstra o interesse no recurso, mal disfarçado numa requentada e malfadada “guerra as drogas”. Então toda a ação será voltada para exploração do recurso. Haverá uma superexploração no país, que não melhorará nenhum dos problemas sociais, mas os agravará. E, somado com a recém instalada violenta questão política ali colocada, facilmente escalará para guerra civil entre os grupos do país. Não melhorará a situação nacional, e também piorará.

De certa forma, tal ataque mostra a vulnerabilidade da América Latina perante o vizinho ganancioso e expansionista do Norte. Que sempre nos viu como uma presa a ser dominada, fazendo uso de seu poder para tal. E para isto nos atrofiou e segue atrofiando. Se mostra ele poder em suas ações, fazendo valer seus interesses geopolíticos, não podemos ficar apenas olhando. É uma demonstração de poder, devemos também mostrar o nosso. Que pode ser feito fazendo valer a ideia de que temos nossa força e nosso poder. O yankee continua mostrando sua força, mas temos a nossa também. Construir um grande projeto que nos desenvolva, algo que Estados Unidos sempre abominou, é nossa única forma de nos fortalecermos e evitarmos ataques como o da última madrugada. Como latinos e ibero americanos temos nossa força, que sempre deverá aumentar.

 

Pedro Fagundes de Borba

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