Se tem algo que o brasiliense não gosta é de forasteiro metido a salvador da pátria. Pois bem, Ricardo Cappelli (PSB), sim, aquele mesmo que ninguém conhece resolveu se lançar pré-candidato ao Governo do Distrito Federal. E, olha, não demorou muito para levar uma invertida daquelas.
O deputado distrital Daniel de Castro (PP) não economizou no verbo e nem nas ironias. Usando suas redes sociais, disparou uma série de críticas de deixar qualquer marqueteiro sem rumo. “Você não ganhou nem para vereador no Rio de Janeiro e agora quer governar o Distrito Federal”, soltou, sem rodeios.
O homem que ajudou Flávio Dino a enterrar o Maranhão agora quer vir para o DF. Cappelli é ex-secretário no governo maranhense, que, convenhamos, não deixou muitas saudades por lá.
O distrital também não engoliu o discurso de Cappelli, que vem tentando surfar na onda da oposição ao atual governo do DF. “Todo mundo pode criticar, claro. Mas não dá pra comparar nosso governo com esse desastre que você representa, que é o do Lula. O pior governo da história recente”, disparou.
E, como se não bastasse, Daniel de Castro (PP) ainda foi além: puxou da gaveta lembranças nada saudosas dos escândalos petistas — mensalão, petrolão e, agora, o que chamou de “rombo dos velhinhos”, numa referência às denúncias de fraudes bilionárias no INSS. “O maior escândalo do Brasil e, curiosamente, a esquerda está muda. Nos bastidores, ainda trabalham pra derrubar as assinaturas da CPMI. Estão com medo”, provocou.
Sobraram farpas até para o ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB), chamado de “derrubador de moradias e perseguidor de igrejas”.
Daniel também não perdeu a chance de lembrar quem realmente tem história no DF. “Respeite a vice-governadora Celina Leão (PP). Ela tem trajetória, tem serviço prestado e, detalhe, nunca perdeu uma eleição. E você, Cappelli? Perdeu até pra vereador”, cutucou, com aquele sorrisinho de canto que a gente imagina perfeitamente.
O parlamentar ainda fez questão de ressuscitar o episódio da intervenção federal na segurança pública do DF após os atos de 8 de janeiro de 2023 — justamente quando Cappelli assumiu o comando da pasta. “Cassaram a voz de um governador eleito por 890 mil votos. Brasília não vai aceitar esse tipo de intervenção de novo, pode anotar”, finalizou, deixando claro que o forasteiro vai precisar mais do que discurso ensaiado pra tentar se firmar por aqui.
Se depender de Daniel de Castro (PP) e da força de Celina Leão, Cappelli vai ter que suar — e muito — pra não sair do DF como entrou: sem ser notado.