Setembro é um mês fundamental, no Brasil e no RS. No primeiro por sua independência de Portugal, de 1822, comemorada no dia 7. E no Rio Grande do Sul dia 20, quando se iniciou o movimento Farroupilha, em 1835, que levou a separação da província do então Império do Brasil. Poderíamos também incluir o 11 de setembro, quando, em 1836, foi de fato proclamada a República Rio Grandense, o país que foi brevemente este estado. Mas hoje em dia causa estranhamento comemorações nesta data. No nono mês, portanto, se fazem estas duas comemorações, nacional e estadual.
Nisto vemos que há uma questão separatista, uma certa cultura separatista no RS. Que, muitas vezes se traduz em um sentimento de não sermos brasileiros, de sermos como que apartados do Brasil, embora sejamos seu território. Estaríamos quase como que nele aprisionados. Há, porém, diversos aspectos que mostram que é o Rio Grande do Sul profundamente brasileiro, embora nem sempre perceba.
Um considerável aspecto a ser nisto trazido é o de que também se pensaria o RS como um lugar mais europeu, por causa de presença e colonização alemã e italiana por aqui. Como se Portugal, o principal colonizador brasileiro, não fosse europeu. E mesmo tendo regiões de colonização alemã e italiana por aqui, há uma presença forte da cultura portuguesa também. Especialmente em cidades como Rio Pardo, Triunfo, Rio Grande, Pelotas e a própria capital Porto Alegre. Então seria um elemento brasileiro comum aqui. Assim como tendo presença de aspectos negativos, como a escravidão, também forte e onipresente aqui como no resto da nação durante o período colonial e do Império. Mesmo considerando imigração italiana e alemã também ocorreu em outras partes do Brasil, como no resto do sul e também no sudeste.
Certamente o ponto mais levantando nesta oposição ao ser brasileiro é o levante republicano de 1835, famosa Revolução Farroupilha. Que tinha suas várias contradições, no entanto, foi um momento de separatismo, onde tentou se separar da monarquia brasileira e formar uma república. O que se tornou uma marca cultural muito forte do gaúcho, como se fosse maior o separatismo aqui. No entanto, não foi um movimento isolado e sem semelhança com outros do mesmo período ou anteriores. Nacionalmente, é considerada uma revolta regencial, uma tentativa de separação no período em que Dom Pedro II era ainda muito jovem para governar. A qual se juntaria com a balaiada, sabinada e cabanagem. E antes dela Pernambuco havia já tido dois levantes republicanos separatistas: Revolução Pernambucana e Confederação do Equador.
Levantando estes diversos aspectos, fica um tanto visível o quanto que coisas que normalmente se usam para tentar dizer o RS um lugar não brasileiro se torna pouco fundamentadas. Pois vários eventos e aspectos daqui se encontram similares em outros estados da nação. Faz então parte o Rio Grande do Sul do Brasil sendo, em verdade, profundamente brasileiro. Seu jeito de ser e aspectos lembram várias outras regiões nacionais, tendo presentes vários deles, como questões de separatismo, uma relação cultural e política, foi uma região formada no contexto de criação e formação do Brasil. Com várias das características do Império português e posteriormente Brasil.
Isto não significa dizer que não há particularidades no RS, como a cultura gauchesca e a vida campeira particular. Porém mesmo isto também faz parte do Brasil, pois é um país de várias e variadas culturas. Faz parte da miscigenação nacional, a qual também encontra eco, no caso riograndense, com a cultura uruguaia e argentina, devido a proximidade geográfica. E incorporado ao Brasil faz com que a ele esteja ligado, se comungando com as demais culturas presentes no território brasileiro. Assim se constitui o estado, sendo mais uma expressão do Brasil.
FONTE/CRÉDITOS: Gauchos; Flickr
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