O conceito de nacionalismo se refere, especialmente, a valorização e auto-afirmação de uma determinada nação. Sendo as nações a principal forma de organização e divisão política do mundo, baseada em aspectos econômicos, culturais, linguísticos e em noções de povos, cada uma carrega uma forma diferente. Ainda que possa haver semelhanças várias entre elas, são únicas em suas essências e características. Pois é também uma unidade de povo, uma comunidade unida por laços diversos, nem sempre positivos. Em tal organização, cria-se este ser dali, estar lá, gerando uma coletividade e também uma forte coercitividade.
Para além das questões de identidade e de cultura que estão fortemente ligadas com o nacionalismo há também muito forte as questões políticas e econômicas envolvidas. Pois sendo uma delimitação de um espaço e de uma determinada organização daquele espaço, há toda uma história, cultura e condições socio econômicas envolvendo aquela população que se entrelaçam e cria na realidade um todo complexo. Tais características moldam e influenciam o real de tais pessoas, fazendo com que suas vidas tenham disso profundas influências.
Isto ocorre em vários e diversos níveis, nos quais podemos ter mais bem destacados o fator de que nascendo em determinada nação se adquire sua cultura, seus fatos sociais e suas relações. Em jogos geopolíticos, há sempre diversos interesses envolvendo nações e grupos que dizem respeito a uma determinada nação, mas que pode ser prejudicial para com outras. E isto está diretamente ligado com os interesses de tais grupos. Pois há diversos países que possuem um fraco sentimento de estima por si, onde impera uma rejeição contra este mesmo. E isto enfraquece o fortalecimento e desenvolvimento dos mesmos.
O Brasil é um flagrante e bom exemplo disto. O conceito aqui já clássico de complexo de vira lata, formulado pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, resume bem tais pensamentos e formas de se ver. Nos qual o que predomina é uma economia agra exportadora, com um setor terciário um pouco mais forte e um secundário ainda bastante fraco. E temos também neste fator uma elite anti Brasil, que se volta sempre para fora, para agradar interesses estrangeiros, em detrimento dos nossos. Não se forma nem uma economia desenvolvimentista robusta, na qual se conseguia diversificar e fortalecer as organizações, instituições e expressões brasileiras. Menos ainda se volta para algum caráter distributivo, baseado em políticas que modifiquem a estrutura social brasileira que é extremamente concentradora. Em ambos os casos por assim haver fatores no cenário internacional, mas também pela própria forma de ser da elite brasileira, que não se interessa nem por desenvolvimento nem por distribuição. O primeiro tendo sido feito sempre na marra, o segundo quase não sendo.
Então não é o nacionalismo algo baseado na ideia de supremacia da nação, como alguns alegaram no passado, em cima do que alguns fizeram. Mas sim um sentimento e uma condição política na qual se coloca a realidade de um país, baseado em todos os fatores que o formam. É o entender de como se formou uma determinada realidade nacional, o povo que ali há e especialmente, em cima disto, ver de quais maneiras pode ser melhorada e aprimorada. Tal ideia passa por conhecer as contradições e problemas nacionais, afim de assim se buscarem as soluções para tais situações. A questão da nação passa diretamente por suas características, seus fatos sociais e também por ver as coercitividades, coesões sociais, divisão do trabalho e diversos outros fatores que adquirem contornos e características diferentes em cada nação. E só podem ser resolvidos aplicando a forma de ser daquele país, de uma maneira que o povo possa se conduzir e modificar.
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