Embora bastante restrito, não é proibido ao brasileiro portar uma arma. O que acontece é que, caso não seja como que um militar ou policial, portanto um profissional das armas, terá de mantê-la em casa. Pois, essencialmente, mesmo que mantenha uma postura defensiva, não haverá utilidade prática a ela, uma vez que não poderá agir, no máximo reagir. Já existe há muito tempo no Brasil, uma questão no Brasil a respeito de se aumentar o porte de arma para civis, fazer com que haja maior liberação delas.
Tal debate ganhou bastante força com a ascensão do bolsonarismo, que tem na posse de armas e numa dita liberdade individual com elas uma de suas principais pautas ideológicas. Traz à tona diversos pontos a respeito de uso de arma, função dela, um certo fascínio que se tem entre elas, e que se reflete numa ilusão de defesa, muitas vezes apenas uma camuflagem retórica para se ter acesso a algo que amplifica a violência. Tocando nesta questão, neste armamento, se fez crescer bastante este sentimento no Brasil recentemente, aumentando bastante o público de clubes de tiro e mesmo o registro de armas.
Juridicamente falando, o controle e regulamentação das armas já passaram por diversas formas e fases. Com o estatuto do desarmamento, de 2003, houve uma campanha em massa para se desfazer delas nacionalmente, por parte de civis. Ainda, com muitas restrições, é possível manter algumas em casa, mas mais como uma espécie de enfeite, pois não é permitido seu uso. Então o uso civil foi praticamente abolido, ficando permitido basicamente de forma recreativa em clubes de tiro. Isso despertou desde a época uma reação de entusiastas e fãs delas, que reivindicam seu uso como chamada auto defesa.
Para colocar esta questão de maneira adequada, a primeira questão é pensar nas funções de uma arma. O uso exclusivo delas é para matar ou, no mínimo, ameaçar. Para qualquer outra função, são completamente inúteis. Diferente de objetos que tem outras funções, mas que podem ser utilizados como armas, tais como veículos ou facas, as armas de fogo têm função única e exclusiva de matar ou ameaçar. Neste aspecto, não há um uso útil ou positivo que civis possam fazer dela. É um objeto que possui certa relevância como defesa, porém precisa ser feito em contexto profissional. Ou seja, usada por policiais, por militares, por aqueles que possuem treinamento e manejo para defesa, usando para tal.
Mesmo nestes casos, ainda que necessário, é algo bastante delicado, que exige bastante regulamentação e planejamento. Porém, no âmbito e contexto civil, torna-se algo sem qualquer valor além de aumentar a violência entre civis. Certamente elas não surgem apenas por estes terem ou não armas de fogo. Tensões entre pessoas podem surgir de várias formas, por diversos motivos. E que será concretizada. Porém, se tiverem acesso a um instrumento mais poderoso, esta violência vai ser amplificada, podendo resultar em problemas mais severos, além de facilitar atos violentos, que pode levar ao escalonamento dos mesmos.
Nisto reside a principal questão do desarmamento civil, pois não há nada de bom que possam estes fazer com armas. Apenas provocar tensões e possibilidades de maiores problemas. Ainda que a ausência delas não faça elas terminarem, ao menos não as aumentará nem potencializará tais problemas. Em contextos recreativos controlados, embora seja de mal gosto, não é necessário proibir, apenas regular fortemente o uso e espaço. O controle social de armas envolve uma organização, uma sociabilidade que terá de ajudar a promover paz.