Jornal da 2CNews

Sabado, 06 de Dezembro de 2025

Política

A mercadoria

Essencialmente, o problema social mais dorsal é a maneira como são produzidas as mercadorias.

Pedro Fagundes de Borba
Por Pedro Fagundes de Borba
A mercadoria
Trigo; PxHere
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

  Ainda que o capitalismo esteja cada vez mais financeirizado, a mercadoria ainda desempenha um papel e uma presença importante. Sendo ela, como já bem apontado por Marx no começo de “O Capital”, a mercadoria é aquilo que satisfaz uma necessidade humana, provenha ela do estômago ou da fantasia. Ao assim por este conceito, coloca a ação primordial da mercadoria, a satisfação de alguma necessidade, como o catalisador, como aquilo que a caracteriza. Ainda que o conceito de fantasia seja ali empregado de maneira um tanto mais amplo, se coloca como algo que reflete algo que queremos, que seja uma necessidade não de natureza fisiológica.  
       Por ter esse papel central, ela é o grande produto das relações de trabalho, bem como a origem de sua necessidade. Quando precisamos de algo e não o temos, empregamos um trabalho para obter. O que agrega um valor aquele produto, que é determinado pelo trabalho colocado nele e pelo que vale aquilo, o quanto se valoriza aquela mercadoria. A valorização pode se dar por vários fatores, normalmente associado com o estômago ou a chamada fantasia. Pão, por exemplo, tem seu valor colocado por questão de ser alimento, algo necessário ao estômago. Ao passo que ouro tem seu valor determinado puramente pela fantasia, por uma vontade humana em relação a ele. 
      Isso, em rede e em uma grande e complexa rede, forma-se a base da economia e da circulação econômica. E a produção e circulação de mercadorias, com seus respectivos valores está nisso embutida, sendo um contínuo processo. Em verdade, com o aumento exponencial da financeirização da economia. Que assim ocorrendo diminui cada vez mais a mercadoria, fazendo majoritariamente investimentos em cima de especulações, dinheiro investido em dinheiro, numa palavra. A estrutura já é por si própria desigual, mas a diminuição na produção e circulação de tais mercadorias a torna ainda mais enxuta, com cada vez menos pessoas tendo cada vez menos acesso as coisas.         
       Porém, enquanto objeto primordial e básico da organização social, pois atende as demandas e necessidades materiais, que fazem parte da vida humana, que suprem os dois tipos de coisas necessárias. Ou seja, carregam em si um dos pilares, uma das questões vitais para os seres humanos viverem. E sua organização e forma de ser produzido, distribuído, circulado e usado é crucial para determinar o quão bom ou ruim será a sociedade em que está tal mercadoria. É a questão dos meios de produção, ou seja, a lógica e a dinâmica social que dá origem a estes objetos, insumos e recursos. Como não é produzido de uma maneira a se gerar um bem comum, mas sim para um crescimento próprio, se concentra em uma das mãos. 
      Há já intensa e forte discussão sobre a questão da produção das mercadorias. Os meios e formas de produção atuais são, por certo, um tanto quanto concentradores, garantindo a riqueza apenas a um muito restrito grupo, normalmente apenas a alta cúpula dele envolvida. A venda de tais mercadorias é voltada para um determinado grupo de pessoas. Que lhes dão um determinado valor, pagando por ele. É um tanto complexo essa questão de valor. Pois não dá para pensar em coisas apenas básicas para a sobrevivência, tendo também vital importância aquilo que é valorizado por nós devido a outros atributos. 
      Essencialmente, o problema social mais dorsal é a maneira como são produzidas as mercadorias. Porque sendo de maneira desigual e com uma lógica negativa, acaba se concentrando para alguns e escasseando fortemente para outros. O que produz a forma desigual e a desigualdade de recursos e oportunidades a vários. Resultando em perda de liberdade e poder de desenvolver o potencial da pessoa. Toda a base político econômica do capitalismo estando assentada sobre as mercadorias, cabe modificar e buscar formas de produção alternativas para que se reduza e talvez solucione os problemas em suas estruturas.  
 

Pedro Fagundes de Borba

Publicado por:

Pedro Fagundes de Borba

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!