O debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal ganhou temperatura na noite desta terça-feira (1º), quando José Roberto Arruda (PSD) partiu para o ataque contra a governadora Celina Leão (PP). A estratégia, porém, abriu espaço para que a adversária colocasse no centro da discussão justamente um dos maiores problemas enfrentados pelo ex-governador nesta eleição: a batalha judicial em torno do registro de sua candidatura.
Durante o encontro promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, Arruda direcionou críticas à atual governadora e também ao candidato a vice-governador na chapa de Celina, Gustavo Rocha.
O ex-governador atribuiu a Rocha uma suposta atuação para impedir que sua candidatura ao Palácio do Buriti avance. Celina reagiu e afirmou que os questionamentos envolvendo o registro eleitoral de Arruda não são responsabilidade de integrantes de sua chapa, mas das instituições que atuam no processo eleitoral.
“O senhor está fazendo acusações muito graves, porque está acusando instituições. É o Ministério Público, é o Judiciário. Será que agora eu comando isso?”, questionou.
Celina não perdoou
Ao ser provocada pelo adversário, Celina não perdoou e levou para o debate o passado político de Arruda e o longo período em que ele esteve afastado do comando do Distrito Federal.
“Faz 16 anos que Brasília foi vacinada contra o senhor”, disparou a governadora.
A declaração marcou um dos momentos mais duros do confronto e mostrou que a campanha eleitoral no DF deverá explorar não apenas propostas para os próximos quatro anos, mas também o histórico dos principais candidatos.
Na linguagem de campanha, pode-se dizer que a leoa calçou as botas. Celina abandonou uma postura meramente defensiva diante das críticas e passou a confrontar diretamente Arruda justamente no terreno que tende a ser um dos mais sensíveis para o ex-governador durante a corrida eleitoral.
Registro de Arruda vira assunto central
O ponto levantado durante o debate tem peso político porque a situação jurídica de Arruda permanece como uma questão importante de sua candidatura.
O Ministério Público Eleitoral apresentou ação ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal para tentar impedir o registro do ex-governador. O órgão sustenta que Arruda permanece inelegível até dezembro de 2030 em razão de seis condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa.
A questão, entretanto, ainda está submetida à Justiça Eleitoral. Arruda tem direito de apresentar sua defesa e também poderá recorrer caso receba uma decisão desfavorável.
Isso significa que, além da disputa tradicional por votos, alianças e espaço no debate público, o candidato do PSD enfrenta uma segunda frente: a necessidade de assegurar juridicamente sua presença na eleição.
Gustavo Rocha entra na linha de fogo
Arruda voltou suas críticas principalmente para Gustavo Rocha, candidato a vice na chapa de Celina. A governadora reagiu dizendo que o adversário demonstrava “descontrole” e sugeriu que ele concentrasse esforços em sua própria situação perante a Justiça.
Celina também aproveitou o confronto para estabelecer uma comparação entre as duas candidaturas.
“O nosso vice-governador é ficha limpa. A nossa chapa é ficha limpa”, declarou.
A fala indica uma linha que poderá ganhar espaço na campanha: de um lado, Arruda tentando transformar sua situação jurídica em parte de uma disputa política; de outro, Celina buscando apresentar a regularidade de sua chapa como elemento de contraste.
Eleição do DF entra em fase mais dura
O confronto também dá uma amostra de como poderá ser o restante da campanha pelo Palácio do Buriti. À medida que a eleição avança, os debates tendem a deixar as apresentações protocolares de propostas e entrar em temas capazes de afetar diretamente a imagem e a viabilidade eleitoral dos candidatos.
Arruda tem experiência política, já comandou o Distrito Federal e busca recuperar espaço junto ao eleitorado. Ao mesmo tempo, carrega uma longa trajetória de disputas judiciais que seus adversários dificilmente deixarão fora da campanha.
Celina, por sua vez, ocupa o governo e entra na disputa com a responsabilidade de defender sua administração, responder aos ataques e convencer o eleitor de que representa continuidade com capacidade de avançar.
O debate desta terça-feira mostrou que esse confronto poderá ser um dos principais eixos da eleição no Distrito Federal.
Arruda tentou colocar Celina na defensiva. A governadora respondeu trazendo para o palco justamente a questão que o ex-governador mais precisará explicar ao eleitor: se, além de conquistar votos suficientes para voltar ao Palácio do Buriti, conseguirá superar a barreira jurídica que ainda paira sobre sua candidatura.
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