O aumento de 2,91% nas tarifas de ônibus que ligam o Entorno do Distrito Federal a Brasília está, mais uma vez, na berlinda. Os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Ibaneis Rocha (DF) se uniram em um pedido oficial ao Ministério dos Transportes para adiar, por mais 90 dias, a aplicação do reajuste. A medida, segundo eles, visa proteger os milhares de trabalhadores que dependem diariamente do transporte público interestadual.
A temida alta nas passagens do transporte semiurbano, prevista para começar neste sábado (23/08), pode ser suspensa novamente. Em ofício conjunto encaminhado ao ministro Renan Filho e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os governadores de Goiás e do Distrito Federal solicitaram a prorrogação do congelamento tarifário. A razão? Evitar mais um golpe no bolso do trabalhador que madruga para sustentar a economia da capital federal — sem direito nem a um ônibus decente, na maioria das vezes.
O argumento central dos governadores é claro: a economia da Região Metropolitana do Entorno gira em torno do deslocamento diário de milhares de pessoas que moram em Goiás e trabalham em Brasília. Penalizar essa população com aumento de passagem, no meio das negociações por um modelo de gestão mais eficiente, seria, nas palavras do próprio Caiado, “injusto e insustentável”.
E por falar em modelo de gestão, o pedido dos governadores também trouxe à tona a proposta de criação do Consórcio Interfederativo da Região Metropolitana do Entorno (Cirme). A minuta já está protocolada no Ministério dos Transportes e aguarda uma resposta formal da União. A ideia é simples (mas poderosa): dividir responsabilidades e recursos entre União, DF e Goiás para melhorar o serviço, garantir melhores ônibus e oferecer um mínimo de dignidade no transporte que liga as duas unidades federativas.
“Atualmente, quem comanda tudo é a União. Mas está claro que esse modelo não dá mais conta do recado. Queremos participar ativamente da gestão e da solução”, afirmou Caiado, que defende o consórcio desde 2019.
Ibaneis Rocha também endossa a urgência de uma solução compartilhada. Segundo ele, a prorrogação do prazo é essencial para que as tratativas evoluam sem causar prejuízo à população. “É um momento de responsabilidade. Não podemos empurrar a conta para o trabalhador enquanto os governos discutem o futuro da mobilidade na região”, disse o governador do DF.
No fundo, a mensagem é direta: Caiado e Ibaneis deixaram de lado qualquer disputa política e assumiram juntos o compromisso de buscar melhores ônibus, mais dignidade e menos tarifa para quem já sofre o suficiente com as condições precárias do transporte no Entorno. Agora, a bola está com a União.
Resta saber se o governo federal vai ouvir os dois ou se vai preferir empurrar os trabalhadores — de novo — pra dentro de um ônibus lotado, velho e mais caro.