José Roberto Arruda, aquele mesmo das fitas, das malas e da “Caixa de Pandora”, resolveu buscar redenção onde não foi chamado — dentro da Convenção Geral da Assembleia de Deus de Brasília. O problema? Esqueceu de pedir permissão antes. O resultado foi um vexame público: barrado, filmado, vaiado e expulso. O homem que já governou o DF saiu do templo, mas o constrangimento ficou. Arruda apareceu no sábado (25), em Taguatinga, com a autoconfiança de quem acredita que o perdão divino vem em forma de votos. Chegou dizendo ter sido convidado, mas a organização da Adeb — educadamente — explicou que o evento era restrito a pastores e dirigentes. Traduzindo: “Aqui não é comício, meu irmão”.
Segundo relatos, o ex-governador tentou insistir. Falou com seguranças, tentou negociar com pastores e chegou a fazer cara de quem ia multiplicar os pães — ou os votos — ali mesmo. Mas não teve milagre. Foi “convidado a se retirar” e saiu sob olhares constrangidos e celulares gravando. Nas redes, o vídeo viralizou mais rápido que promessa em tempo de eleição.
Fontes da igreja contaram que Arruda teria se exaltado e até ameaçado “dar o troco” se voltasse ao poder. Que belo testemunho. O homem que já foi cassado por corrupção agora é acusado de tentar intimidar uma congregação inteira. Se for verdade, nem o confessionário dá conta de tanta cara de pau.
A Adeb, uma das maiores igrejas evangélicas do DF, soltou nota interna repudiando o episódio e chamando o comportamento de “desrespeito ao sagrado”. Em outras palavras: “Vá fazer campanha em outro lugar”. E com razão — afinal, fé e oportunismo político são como óleo e água. Não se misturam, por mais que Arruda tente.
O caso escancarou a tentativa desesperada do ex-governador de reconquistar o eleitorado evangélico, que representa um quarto da população do DF. O problema é que, em vez de carisma, entregou constrangimento. Enquanto isso, nomes como o de Celina Leão (PP) seguem firmes, com 34,7% nas intenções de voto — sem precisar invadir igreja alheia.
Em nota, Arruda disse que “apenas buscava dialogar com líderes comunitários” e que o vídeo foi editado. Convenhamos: até as fitas antigas dele também eram “editadas”, não é mesmo? Parece que o roteiro se repete, só muda o cenário — antes o Buriti, agora o púlpito.
No fim das contas, o episódio serviu de sermão moderno: igreja não é palanque, e quem tenta misturar fé com oportunismo político acaba pagando o mico em praça pública. Arruda, desesperado, saiu pela porta dos fundos, mas o recado ficou claro: o altar não é lugar pra quem quer redenção nas urnas.
