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Sabado, 06 de Dezembro de 2025

Política

Barrado no templo: o dia em que José Roberto Arruda tentou evangelizar o próprio ego

Ex-governador do DF tenta entrar de penetra em evento fechado da Assembleia de Deus, é barrado na porta e vira piada nas redes. Fica a lição: igreja não é palanque

Claudio Campos
Por Claudio Campos
Barrado no templo: o dia em que José Roberto Arruda tentou evangelizar o próprio ego
Agência Brasil
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José Roberto Arruda, aquele mesmo das fitas, das malas e da “Caixa de Pandora”, resolveu buscar redenção onde não foi chamado — dentro da Convenção Geral da Assembleia de Deus de Brasília. O problema? Esqueceu de pedir permissão antes. O resultado foi um vexame público: barrado, filmado, vaiado e expulso. O homem que já governou o DF saiu do templo, mas o constrangimento ficou. Arruda apareceu no sábado (25), em Taguatinga, com a autoconfiança de quem acredita que o perdão divino vem em forma de votos. Chegou dizendo ter sido convidado, mas a organização da Adeb — educadamente — explicou que o evento era restrito a pastores e dirigentes. Traduzindo: “Aqui não é comício, meu irmão”.

Segundo relatos, o ex-governador tentou insistir. Falou com seguranças, tentou negociar com pastores e chegou a fazer cara de quem ia multiplicar os pães — ou os votos — ali mesmo. Mas não teve milagre. Foi “convidado a se retirar” e saiu sob olhares constrangidos e celulares gravando. Nas redes, o vídeo viralizou mais rápido que promessa em tempo de eleição.

Fontes da igreja contaram que Arruda teria se exaltado e até ameaçado “dar o troco” se voltasse ao poder. Que belo testemunho. O homem que já foi cassado por corrupção agora é acusado de tentar intimidar uma congregação inteira. Se for verdade, nem o confessionário dá conta de tanta cara de pau.

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A Adeb, uma das maiores igrejas evangélicas do DF, soltou nota interna repudiando o episódio e chamando o comportamento de “desrespeito ao sagrado”. Em outras palavras: “Vá fazer campanha em outro lugar”. E com razão — afinal, fé e oportunismo político são como óleo e água. Não se misturam, por mais que Arruda tente.

O caso escancarou a tentativa desesperada do ex-governador de reconquistar o eleitorado evangélico, que representa um quarto da população do DF. O problema é que, em vez de carisma, entregou constrangimento. Enquanto isso, nomes como o de Celina Leão (PP) seguem firmes, com 34,7% nas intenções de voto — sem precisar invadir igreja alheia.

Em nota, Arruda disse que “apenas buscava dialogar com líderes comunitários” e que o vídeo foi editado. Convenhamos: até as fitas antigas dele também eram “editadas”, não é mesmo? Parece que o roteiro se repete, só muda o cenário — antes o Buriti, agora o púlpito.

No fim das contas, o episódio serviu de sermão moderno: igreja não é palanque, e quem tenta misturar fé com oportunismo político acaba pagando o mico em praça pública. Arruda, desesperado, saiu pela porta dos fundos, mas o recado ficou claro: o altar não é lugar pra quem quer redenção nas urnas.

Claudio Campos

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Claudio Campos

Claudio Campos é jornalista com registro MTB/Fenaj 2993-DF desde 12 de fevereiro de 2003. Apartidarismo, imparcialidade crítica e independência jornalística são preceitos básicos que norteiam sua conduta profissional e pessoal

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