A reta final do segundo turno no Distrito Federal parece ter despertado uma velha conhecida da política: a campanha do “vale tudo”. Na falta de propostas capazes de convencer o eleitor, adversários de Celina Leão e de Flávio Bolsonaro passaram a apostar em ataques, acusações e narrativas que circulam com velocidade muito maior do que qualquer tentativa de checagem. É a política no modo desespero: primeiro espalha, depois pergunta - se perguntar.
O curioso é que a estratégia parece partir de uma premissa bastante simplista: o eleitor seria incapaz de separar fato de ficção. Só esqueceram de avisar ao eleitorado que ele também observa a realidade. Enquanto a máquina das narrativas trabalha a todo vapor nas redes sociais, enquanto isso Celina trabalha em prol do DF, transformando a condição de governadora em argumento político concreto. Pode-se concordar ou discordar de suas decisões, mas uma coisa é debate democrático; outra, bem diferente, é transformar qualquer boato em “verdade” apenas porque ele serve à conveniência eleitoral.
No campo da esquerda, especialmente entre aqueles que enxergam a eleição como uma batalha ideológica permanente, a impressão é de que a calculadora eleitoral começou a produzir números pouco agradáveis. E quando a matemática não ajuda, entra em cena a criatividade - aquela criatividade que costuma aparecer acompanhada de manchetes alarmistas, cortes convenientes e acusações lançadas ao vento. No desespero, encarnam a onda das fake news, como se repetir uma história muitas vezes pudesse transformá-la automaticamente em fato. Não pode.
A política deveria ser disputa de ideias, propostas e resultados. O eleitor merece respeito, não uma fábrica de fantasmas para assustá-lo às vésperas da votação. Celina pode ser cobrada, criticada e confrontada - isso faz parte da democracia. Mas campanha limpa exige fatos, não ficção. E talvez seja justamente isso que explique tanta agitação: quando a realidade eleitoral não combina com a narrativa desejada, alguns preferem atacar a realidade. Só que urna não vota em meme. Grass já era como projeto eleitoral, e insistir em narrativas requentadas não parece exatamente uma estratégia de renovação. Parece mais o último suspiro de quem percebeu que o eleitor já decidiu olhar para frente.
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