Jornal da 2CNews

Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

Economia

Orçamento às cegas: governo lança PLDO 2026 e some do mapa para evitar perguntas incômodas

Haddad e Tebet fugiram do debate e deixaram o anúncio do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias por conta de assessores; enquanto isso, a bomba fiscal segue armada para explodir em 2027

Claudio Campos
Por Claudio Campos
Orçamento às cegas: governo lança PLDO 2026 e some do mapa para evitar perguntas incômodas
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Governo apresenta projeto que irá orientar o Orçamento de 2026 e foge para não dar explicações para os desmandos assombrosos na economia. A ausência mais barulhenta da semana foi a dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), que ignoraram solenemente o anúncio do PLDO, como quem sabe que o conteúdo do pacote não era dos mais vendáveis.

Na última terça-feira, o governo federal resolveu praticar um número digno de mágica: apresentou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2026 com uma meta ambiciosa de superávit de 0,25% do PIB – algo em torno de R$ 34,3 bilhões – e R$ 118 bilhões em receitas que, até agora, não se sabe se virão do céu, da terra ou do cofre da imaginação. Até aí, tudo bem. O problema é que ninguém apareceu para explicar o truque.

Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, figuras centrais do malabarismo fiscal, simplesmente evaporaram. A justificativa oficial foi um clássico da política nacional: “problemas de agenda”. Uma desculpa que já virou eufemismo institucional para “não quero passar vergonha em público”. Nem os secretários-executivos ousaram enfrentar o microfone. Afinal, quem toparia responder, de peito aberto, como se sustenta uma meta ousada com base em receitas que ainda não existem?

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O que se viu foi um vácuo. Um vazio recheado de interrogações sobre o futuro das contas públicas, empurradas perigosamente para o colo do próximo presidente – ou, no cenário mais otimista, para o Lula 4.0. A proposta, recheada de estimativas otimistas e manobras orçamentárias criativas, mascara o que já se tornou rotina: a completa ausência de compromisso com o equilíbrio fiscal.

Enquanto isso, o colapso anunciado para 2027 já ganha contornos bem definidos no próprio texto do PLDO. O Orçamento ficará tão apertado que nem mesmo os custos básicos da máquina pública conseguirão ser pagos sem recorrer a cortes drásticos ou novas pedaladas fiscais. Mas, claro, o governo prefere fingir que está tudo sob controle – e quando não consegue, simplesmente não comparece.

Afinal, é mais fácil lançar promessas no papel e correr para longe das perguntas do que admitir que a conta não fecha. Haddad e Tebet fugiram do debate, e o país ficou com a conta, a dúvida e o silêncio constrangedor como resposta.

Enquanto isso, Brasília continua assistindo a esse show de mágica orçamentária... só falta o coelho sair do chapéu. Se é que ainda tem chapéu.

Claudio Campos

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Claudio Campos

Claudio Campos é jornalista com registro MTB/Fenaj 2993-DF desde 12 de fevereiro de 2003. Apartidarismo, imparcialidade crítica e independência jornalística são preceitos básicos que norteiam sua conduta profissional e pessoal

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