Morreu neste sábado (14), aos 58 anos, o advogado, jornalista, professor e ex-deputado federal pelo Distrito Federal, Paulo Fernando. Reconhecido por sua atuação pública e pelo domínio técnico no campo jurídico e legislativo, ele também ficou marcado como um defensor convicto da liberdade de imprensa e da chamada nova imprensa, formada por veículos independentes, jornalistas digitais e comunicadores que ampliaram o debate público nos últimos anos.
Uma trajetória entre o direito, o jornalismo e a política
Paulo Fernando construiu uma carreira que transitou com naturalidade entre três áreas fundamentais para a democracia: o direito, a comunicação e a política. Advogado respeitado, professor dedicado e jornalista atento ao debate público, ele sempre demonstrou interesse em fortalecer o papel da informação como instrumento de cidadania.
Na política, ganhou projeção ao assumir o mandato de deputado federal pelo Distrito Federal na condição de suplente do parlamentar Julio Cesar Ribeiro. Tomou posse em 7 de março de 2023 e permaneceu no cargo até janeiro de 2024. Durante esse período, destacou-se pelo domínio do regimento interno da Câmara dos Deputados e pela capacidade de articulação nos bastidores do Parlamento.
Mesmo fora do exercício direto do mandato, Paulo Fernando mantinha diálogo frequente com parlamentares, jornalistas e lideranças políticas do DF, incluindo nomes que atuam tanto como deputado distrital quanto no Congresso Nacional.
Defensor da nova imprensa
Um dos aspectos mais marcantes de sua atuação pública foi a defesa da chamada nova imprensa — um ecossistema de comunicação formado por portais independentes, blogs jornalísticos, produtores de conteúdo e jornalistas que atuam fora das grandes estruturas tradicionais de mídia.
Paulo Fernando acreditava que esse movimento ampliava o pluralismo de ideias e fortalecia o debate democrático. Para ele, a diversidade de vozes na comunicação era essencial para garantir transparência, fiscalização do poder público e acesso à informação.
Além de acompanhar e incentivar iniciativas jornalísticas independentes, ele frequentemente dialogava com comunicadores e apoiava profissionais que buscavam exercer o jornalismo com responsabilidade e compromisso com os fatos.
Seu reconhecimento nesse meio também se refletiu no vínculo com entidades da área. Paulo Fernando era membro honorário da ABBP (Associação Brasileira de Portais de Notícias), organização que reúne veículos digitais e que tem como uma de suas bandeiras a valorização da imprensa independente.
Respeito entre colegas
Nos círculos jurídico e político, Paulo Fernando era lembrado pela disposição em orientar colegas e compartilhar conhecimento. Muitos o consideravam um dos maiores conhecedores do regimento da Câmara dos Deputados, habilidade que o tornava uma referência para parlamentares e assessores.
Essa postura colaborativa fez com que construísse pontes entre profissionais de diferentes áreas — jornalistas, advogados, políticos e acadêmicos.
Última mensagem e despedida
Paulo Fernando passou mal durante a madrugada deste sábado. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu. Deixa esposa e quatro filhos.
Horas antes de sua morte, havia feito uma publicação em suas redes sociais recomendando aos seguidores o filme “O Guardião: Sob a Proteção de São José”, em uma mensagem de reflexão.
A notícia de sua morte gerou manifestações de pesar em diversos setores. A deputada federal Bia Kicis destacou sua amizade, fé e conhecimento técnico. Já o ex-presidente da OAB-DF, Délio Lins e Silva Júnior, lembrou sua atuação como advogado e homem público comprometido com suas convicções.
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também manifestou solidariedade à família e aos amigos.
Um legado ligado à liberdade de expressão
Ao longo de sua trajetória, Paulo Fernando consolidou uma reputação de profissional dedicado ao debate público qualificado. Seja como advogado, jornalista, professor ou deputado federal, manteve como marca pessoal a defesa de princípios que considerava essenciais para a vida democrática.
Entre eles, destacava-se a convicção de que uma sociedade livre depende de uma imprensa ativa, plural e responsável — um ideal que ele via representado tanto nos veículos tradicionais quanto na força crescente da nova imprensa brasileira.
Seu legado permanece ligado a essa visão de comunicação aberta ao diálogo, comprometida com a informação e com o interesse público.