No coração de Brasília, onde a poeira vermelha do Cerrado viu erguer-se do nada uma capital, o Marco Zero — esquecido por anos — vai, enfim, brilhar como merece. O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Companhia Energética de Brasília (CEB), anunciou a instalação de uma nova iluminação cênica no local, que marcou o início da epopeia da construção da cidade moderna.
Na semana de comemoração pelos 65 anos da capital federal, entre os dias 17 e 21 de abril, o Buraco do Tatu, na Zona Central da cidade, vai deixar de ser apenas um cruzamento agitado para ganhar status de cenário histórico em alto-relevo e cores vibrantes. O projeto, desenvolvido pela CEB com apoio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), do 6º Batalhão da Polícia Militar e do Arquivo Público do DF, promete dar vida nova ao ponto onde tudo começou.
O Marco Zero, que havia sido redescoberto no ano passado e despertou o interesse de curiosos, historiadores e turistas, passa agora a ser protagonista de uma nova narrativa: a de uma cidade que honra sua origem. A tecnologia utilizada é de ponta — um sistema RGB com capacidade para até 3 milhões de combinações de cores. Isso mesmo, três milhões. Uma paleta que vai do branco mais discreto ao roxo mais extravagante, tudo para realçar não só o asfalto marcado com o ponto central, mas também as esculturas em alto relevo que representam o famoso desenho do Plano Piloto.
Com controle remoto e integração ao Centro de Comando Operacional (CCO) da CEB, o novo sistema permite que a iluminação seja monitorada em tempo real, garantindo agilidade na manutenção e na personalização de datas comemorativas e eventos especiais. A cereja no bolo da cidade linda.
“O Marco Zero é o coração simbólico de Brasília, onde tudo começou. Iluminar esse espaço com tecnologia de última geração é mais do que uma ação de infraestrutura, é um gesto de respeito à nossa história e à memória da cidade. É um presente que entregamos com muito orgulho aos brasilienses”, afirmou Edison Garcia, presidente da CEB.
Com um investimento de R$ 70 mil, o projeto é um aceno simbólico e, ao mesmo tempo, concreto à epopeia que foi transformar o nada em uma capital. Uma homenagem ao sonho de Juscelino, ao traço de Lúcio Costa, à genialidade de Niemeyer — e, claro, ao suor anônimo de milhares de candangos que fizeram da utopia uma cidade moderna.
Agora, com a nova iluminação, o Marco Zero sai da sombra para, literalmente, brilhar. Porque uma cidade linda também precisa saber contar sua história... com luz própria.
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