Um vídeo publicado pelo ex-deputado federal Luís Miranda tenta manchar a atuação do deputado Fred Linhares na Câmara dos Deputados. O problema é simples — e grave: o próprio documento exibido na gravação desmente a acusação. Onde Miranda afirma “faltas”, os dados oficiais registram presenças.
A política brasileira já viu de tudo, mas há um limite claro: quando a crítica ignora os números e força uma narrativa, ela deixa de ser fiscalização e passa a ser desinformação. Foi o que aconteceu no vídeo publicado por Luís Miranda ao acusar Fred Linhares de ter faltado a 119 sessões deliberativas na Câmara dos Deputados.
O detalhe que desmonta a acusação aparece na própria tela. O extrato do portal oficial da Câmara, exibido no vídeo, registra 119 presenças e apenas duas faltas justificadas do parlamentar. A matemática é objetiva. Não depende de opinião, torcida ou ideologia. Diante disso, apoiadores de Linhares reagiram e classificaram o conteúdo como enganoso, apontando má-fé ao transformar presença em ausência.
Os dados oficiais, atualizados até novembro de 2025, indicam frequência superior a 98% — índice incompatível com a alcunha de deputado virtual, termo que virou munição retórica no debate, mas não encontra respaldo nos registros públicos.
A controvérsia reaviva o histórico recente de Miranda. Eleito em 2018, ganhou projeção nacional em 2021 ao depor na CPI da Covid e romper politicamente com a base conservadora que o elegeu, episódio que muitos eleitores classificaram como oportunista. Rejeitado nas urnas em 2022, tentou novo mandato por São Paulo, sem sucesso. Agora, ao sinalizar retorno ao cenário brasiliense, escolhe o ataque — ainda que sustentado por um vídeo mentiroso — como atalho para os holofotes.
Até agora, Miranda não explicou a contradição entre o discurso e o documento que ele mesmo apresentou. Fred Linhares também não se manifestou oficialmente. O silêncio, porém, não altera o essencial: números públicos existem para evitar versões fantasiosas. Quando a crítica ignora esse freio básico, ela perde força — e credibilidade.
No fim das contas, a democracia não se fortalece com truques de edição nem com acusações que não se sustentam. Fiscalizar é necessário; distorcer, não. E quando o fato desmente a fala, o rótulo de mentiroso deixa de ser ofensa e passa a ser descrição do método usado.