Eles já foram condenados, presos, expostos em escândalos nacionais e viraram sinônimo de tudo o que Brasília quer esquecer. Mas agora estão de volta — ou, pelo menos, tentando — com aquele velho papo de "fiz muito por Brasília", embalado em discursos sazonais de obras e recomeços. Gim Argello e José Roberto Arruda, costuram suas artimanhas para disputar as eleições de 2026 como se o passado tivesse sido apenas um mal-entendido.
Eles acham que o eleitor tem memória de peixinho dourado
A dupla do “retorno glorioso” parece apostar no velho truque da nostalgia e na amnésia do eleitor. Mas como esquecer o escândalo do Mensalão do DEM, também conhecido como Caixa de Pandora, que mandou Arruda direto para o xilindró após um vídeo explícito — e bota explícito nisso — onde ele aparece recebendo uma sacola de dinheiro vivo? Não é fake, não é montagem, é corrupção filmada, com áudio e tudo.
Arruda, que já foi o queridinho da classe média candanga, agora tenta reviver seus tempos de glória, de preferência sem delator por perto. Foi cassado, preso, solto e agora quer voltar como se nada tivesse acontecido.
Gim, o “Alcoólico” da Lava Jato, agora quer brindar com votos
Já o ex-senador Gim Argello, que tinha até codinome nos esquemas da Lava Jato — "Alcoólico", uma fina ironia dos empreiteiros em referência ao gim, bebida destilada — foi condenado a 19 anos por embolsar milhões em propina para blindar executivos em CPIs da Petrobras. Cumpriu só três aninhos, teve a pena anulada, e pronto: se diz pronto para servir novamente à população. Ou seria servir-se da população?
Conhecido nos bastidores como "Gato de Botas", por andar sorrateiro nos corredores do poder, Gim já afia os bigodes para voltar à cena eleitoral ao lado de Arruda. Os dois, juntos, formam uma dupla digna de filme... de terror político.
Quando o cinismo vira projeto político
O mais cínico disso tudo? Eles não escondem o jogo. Não negam os passados sombrios. Apenas dizem que “já pagaram pelo que fizeram” e que “estão prontos para trabalhar de novo”. Ora, ora... quem tem um histórico desses e ainda quer voltar à política, ou tem muita coragem, ou muito desprezo pelo eleitorado.
A aliança desses ex-presidiários e ex-autoridades é uma artimanha descarada para sequestrar de novo a confiança do povo brasiliense. E fazem isso explorando o saudosismo barato, como se o eleitorado fosse incapaz de ligar os pontos entre “promessas” e “prisões”.
Pensam que o eleitor não tem memória. Que basta aparecer de terno novo e discurso ensaiado para esquecer sacolas de dinheiro e estádio milionário. Mas o eleitor do DF já caiu nessa antes. E pagou caro. Não cairá de novo.
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