Não é de hoje que Lula tenta prejudicar o Distrito Federal. A mais nova rasteira veio na calada da noite desta quarta-feira (3), quando o Banco Central — por "coincidência", um dia após o Centrão bater de frente com o governo — rejeitou a compra do Banco Master pelo BRB, num movimento que expõe as digitais do Planalto e acende o alerta sobre a interferência política na economia local.
Lá vem mais um capítulo da novela: "Oposição prejudica o DF". Desta vez, o roteiro passou pelo Banco Central (BC), que decidiu rejeitar a aquisição de 58% do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), numa operação já aprovada pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) e pelo Cade. A transação, avaliada entre R$ 2 e R$ 3 bilhões, tinha o potencial de tornar o BRB o 17º maior banco do país. Mas, pelo visto, crescimento econômico no quadradinho não entra na pauta petista.
A ordem partiu do andar de cima: a decisão foi tomada pela diretoria colegiada do BC, sob recomendação de Renato Dias de Brito Gomes, e tudo indica que teve o dedo firme do Palácio do Planalto — exatamente um dia depois de o Centrão articular projeto que ameaça a autonomia da própria autarquia.
Para quem ainda acredita que coincidência existe em Brasília, vale lembrar que esse mesmo Centrão (leia-se PP, MDB e União Brasil) anunciou seu desembarque da base do governo Lula. E aí veio o troco: a tesoura no negócio do BRB. Lula não respeita o povo brasiliense — isso ficou mais do que claro.
Segundo a Fecomércio-DF, o negócio traria R$ 2 bilhões em dividendos para o GDF em cinco anos, fomentaria milhares de empregos e injetaria ânimo no empreendedorismo e na infraestrutura local. Mas nada disso parece sensibilizar um governo que trata o DF como quintal da oposição.
Ibaneis Rocha (MDB), governador do DF, havia defendido a operação como estratégica para o desenvolvimento regional. O BRB, que hoje pertence ao GDF com 71,92% das ações, planejava uma expansão nacional com o reforço do Will Bank, parte do pacote. Agora, tudo parou. O banco solicitou acesso à decisão do BC para avaliar recursos, mas o estrago político já está feito.
Enquanto isso, parlamentares da esquerda aplaudiram de pé. Erika Kokay (PT-DF) e Leila do Vôlei (Cidadania) celebraram a decisão com aquele velho discurso sobre “defesa do interesse público”. Só esqueceram de dizer que o público prejudicado é o povo do Distrito Federal — aquele que acorda cedo, trabalha, paga imposto e, mais uma vez, foi usado como moeda de troca na briga de egos em Brasília.
Com a rejeição do negócio, o projeto de lei do Centrão — que permitiria ao Congresso destituir a cúpula do BC — perdeu fôlego. No Senado, o texto já é considerado natimorto. Mas o saldo dessa guerra fria institucional é amargo para o DF: oportunidades perdidas, investimentos paralisados e o velho ranço de um governo que, quando pode, enfia o pé no pescoço de quem não reza pela cartilha ideológica.
Se alguém ainda tinha dúvidas de que o Planalto joga pesado contra adversários, basta olhar para os escombros do negócio entre BRB e Banco Master.