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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026

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Anvisa aprova medicamento que pode retardar Alzheimer em estágio inicial

Kisunla (donanemabe) atua diretamente nas placas de proteína beta-amiloide e apresentou resultados positivos em pacientes com comprometimento cognitivo leve e demência leve

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Por Jornal 2CNews
Anvisa aprova medicamento que pode retardar Alzheimer em estágio inicial
Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Kisunla (donanemabe), um novo medicamento voltado ao tratamento de Alzheimer em estágio inicial. Aprovado após testes com mais de 1.700 pacientes, o remédio promete reduzir a progressão clínica da doença em pessoas que apresentam sinais leves de comprometimento cognitivo.

A luta contra a doença de Alzheimer acaba de ganhar um importante aliado. A Anvisa autorizou o uso do donanemabe, nome comercial Kisunla, um anticorpo monoclonal desenvolvido para tratar pacientes que enfrentam os primeiros estágios da doença neurodegenerativa. O medicamento é indicado para casos de comprometimento cognitivo leve e demência leve associados ao Alzheimer — condição que atinge principalmente a população idosa e responde por mais da metade dos diagnósticos de demência no país.

Segundo informações da agência, o donanemabe atua se ligando à proteína beta-amiloide, que forma placas no cérebro e está diretamente relacionada à evolução do Alzheimer. Ao reduzir esses aglomerados, o medicamento ajuda a retardar a progressão da doença.

De acordo com a Anvisa, o donanemabe foi avaliado em estudo envolvendo 1.736 pacientes com doença de Alzheimer em estágio inicial. Os participantes foram divididos entre os que receberam o anticorpo e aqueles que tomaram placebo. Ao longo de 76 semanas, observou-se que os pacientes medicados apresentaram uma progressão clínica da doença significativamente menor em comparação com o grupo controle.

Apesar da eficácia, a Anvisa fez ressalvas quanto ao uso do remédio. Ele não é recomendado para pessoas que fazem uso de anticoagulantes, como varfarina, ou que tenham angiopatia amiloide cerebral detectada por exames de imagem. Nestes casos, os riscos superam os benefícios, segundo a avaliação da agência.

As reações adversas mais frequentes relatadas foram febre, dores de cabeça e sintomas semelhantes aos da gripe, geralmente ligados à infusão do medicamento. A aplicação ocorre por via intravenosa, em doses controladas: 700 mg nas primeiras três sessões, seguidas por 1.400 mg a cada quatro semanas.

A Anvisa garantiu que a segurança do donanemabe será monitorada com rigor. Estão previstas medidas de controle e acompanhamento em conformidade com o Plano de Minimização de Riscos aprovado.

A doença de Alzheimer, conforme definição do Ministério da Saúde, é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal. Ela provoca perda de memória, dificuldade de linguagem, alterações comportamentais e prejuízos na realização de atividades cotidianas. O tratamento, oferecido gratuitamente pelo SUS, inclui acompanhamento médico, suporte multidisciplinar e medicamentos que ajudam a retardar os sintomas. O envolvimento da família e cuidadores também é fundamental para garantir a qualidade de vida dos pacientes.

Com a aprovação do donanemabe, especialistas e entidades de saúde renovam as esperanças no combate ao Alzheimer — uma doença que, embora ainda sem cura, ganha cada vez mais estratégias para ser enfrentada com dignidade e ciência.

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