Durante uma semana inteira, entre os dias 27 de julho e 2 de agosto, cerca de sete mil pessoas participaram das mais de 50 atrações do 24º Sesc Festclown, que reuniu artistas de todas as regiões do Brasil e de outros países. Considerado o maior festival de palhaçaria da América Latina, o evento levou mágica, acrobacia, malabarismo e muita emoção a praças, teatros, semáforos e hospitais do Distrito Federal.
Mais do que entretenimento, o 24º Sesc Festclown mostrou que a arte pode transformar vidas. Entre sorrisos, encantos e surpresas, o público foi convidado a refletir sobre resiliência, superação e a importância de enfrentar desafios sem desistir.
“O circo é resiliência. O artista cai, mas sempre se levanta. E eu acho que esse é um bom exemplo que a gente pode dar através dos nossos espetáculos, das nossas acrobacias. O circo faz a realidade mais bonita”, afirma a acrobata belga Pauline Zoé.
“O circo e a mágica em geral têm uma coisa de a gente contestar a realidade. A premissa da mágica é a realização de algo impossível. E quando a gente está diante do impossível, a gente repensa o que é possível”, explica o ator e mágico Marcelo Moraes, de São Paulo, que apresentou o espetáculo Experimentos do Invisível.
Outra mensagem marcante foi o poder do sorriso como ferramenta de transformação social.
Para a palhaça argentina Maku Fanchulini, “o que o circo faz é acompanhar e transformar as tristezas da vida, sobretudo através do sorriso”.
“Fazer sorrir é uma forma maravilhosa de fazer o bem. Neste mundo cada vez mais maluco, com tanta injustiça, mais do que nunca precisamos da ‘arma’ do sorriso”, afirma a artista, que arrancou gargalhadas do público com o espetáculo Metro e Meio.
Respeito, diversidade e inclusão
Os irmãos e palhaços Ankomárcio Saúde (Chaubraubrau) e Ruiberdan Saúde (Raquaquá) também destacaram o circo como símbolo de respeito e diversidade durante a apresentação de O Circo dos Irmãos Saúde.
“O circo é a metáfora da vida. Aqui no circo temos pessoas de todos os tipos e de todas as cores. Não importa de onde elas vêm ou para onde vão. Não importa quanto ganham ou a roupa que usam. Aqui no circo todos e todas são o respeitável público”, afirma Chaubraubrau.
Ruiberdan complementa:
“O riso não tem uniforme, não tem cor, não tem classe. O riso é importante para todos.”
Chaubraubrau conclui:
“Que nosso riso seja sempre para acolher, para unir; nunca para nos discriminar, nos desvalorizar e nos afastar.”
Formação de artistas e transmissão de saberes
Além dos espetáculos, o 24º Sesc Festclown consolidou-se como um importante espaço de formação artística e compartilhamento de conhecimento.
Hugo Leonardo, conhecido como o palhaço Gaubi Beijodo, foi batizado artisticamente no festival há mais de duas décadas.
“Eu tenho memórias emotivas com esse festival. Eu e minha geração fomos formados por este festival. Tivemos oportunidade de participar de oficinas com mestres do mundo inteiro, formações pelas quais não poderíamos pagar. Hoje vejo minha geração atuando como facilitadora das ações formativas. Esse festival propiciou nossa formação e a multiplicação desses saberes. Para mim isso é lindo demais.”
Essa troca de experiências também alcançou uma nova geração.
O estudante Tarcísio Souza, de 15 anos, do curso de Eletroeletrônica do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (Campus Paracatu-MG), participou do festival acompanhado de outros 26 colegas.
Os jovens integram o Projeto Risoterapeutas, coordenado pelo professor e diretor do Grupo Cênikas, Guelber Evandro. Criada em 2013, a iniciativa utiliza a arte da palhaçaria para humanizar as relações sociais e o ambiente profissional.
“É a importância de levar o riso, de ser ouvinte, de oferecer um olhar e um abraço. É ir humanizando o mundo com pequenas sementinhas. Amanhã esses jovens serão empresários, advogados, vereadores, presidentes”, afirma o professor.
Para Tarcísio, as experiências vividas durante o festival vão muito além do palco.
“Em todas as apresentações, se acontecia alguma coisa, os artistas continuavam com naturalidade e faziam tudo seguir fluindo, enquanto o público ria. Vou levar isso para minha vida pessoal e profissional.”
Cultura também impulsiona a economia
Além dos aprendizados proporcionados aos artistas e ao público, o 24º Sesc Festclown evidenciou sua importância para a economia criativa do Distrito Federal.
Ao reunir dezenas de atrações nacionais e internacionais, o festival movimentou a cadeia produtiva da cultura, fortalecendo profissionais, empresas e serviços ligados ao setor cultural.
“Isso mostra que a arte e a cultura, quando fomentadas e defendidas como direito, alcançam a economia, a formação profissional e a própria dinâmica social do território que as acolhe”, afirma o diretor regional do Sesc-DF, Valcides de Araújo.
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