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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2023
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Neocastilhismo

Inspirados em Castilhos e em sua governança, buscam entendê-lo e usá-lo.

Neocastilhismo
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Vivemos tempos de arrefecimento e de empobrecimento mundial. O que sempre foi pautado, solução da pobreza e da desigualdade social, nunca encontrou uma resposta satisfatória. Vivendo numa era capitalista, que jamais se livrou deste problema surgido em tempos imemoriais, houve uma série de experiências e tentativas para que fosse solucionado. Embora algumas tenham reduzido nenhuma de fato conseguiu solucionar o problema. 

Frente às questões sociais e problemas jamais solucionados, por nenhuma sociedade ou modelo, faz-se necessário a criação de um novo formato, baseado na realidade concreta, política e sociológica. Esta observação e análise precisam contemplar o futuro, mas atenta ao que já existiu associada com correntes reais. Para buscar no passado, os neocastilhistas voltam para Júlio de Castilhos, presidente do Rio Grande do Sul e um dos fundadores do estado com ele é hoje. O patriarca do Rio Grande do Sul, como muitos de seus admiradores o chama.  

Foi ele um dos grandes homens de seu tempo, organizando o estado em um formato pouco usado nacionalmente, e que contemplava importantes aspectos do que é um estado e como se organiza e governa uma sociedade. Sua principal referência era Auguste Comte, filósofo francês e uma das principais bases do positivismo, além de um importante nome para a estruturação da sociologia. Baseado nele, Castilhos formulou sua tese sobre a organização e força do estado, o qual deveria coordenar a sociedade e estarem atento aos seus problemas, buscando resolver. Entendia-se o estado e suas instituições como o fator que constituía, mantinha e coordenava a sociedade, precisando usar suas estruturas para que se pudessem promover mudanças. 

 Ardoroso republicano, no comando do PRI, incentivou a proclamação da república e combateu Silveira Martins, defensor da monarquia. Sendo presidente do estado, elaborou a Constituição estadual de 1891 e lançou base do estado como fator principal da coordenação política e estrutura social. Entre seus homens estavam Venâncio Aires, Borges de Medeiros, Ramiro Barcelos e vários outros. Todos engajados na causa republicana. Em escala nacional, mais tarde, vieram importantes castilhistas, como Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Todos os políticos fortes, bebendo na fonte inspiradora de Júlio de Castilhos. 

A partir dele, conseguimos traçar um estado que buscou inspiração no positivismo, fortalecendo um estado centrado em si e na administração para o povo. Num tempo em que a sociologia, a antropologia e mesmo os estudos da política ainda engatinhavam, Castilhos esteve atento ao surgimento destas novas correntes de conhecimento, e o que elas tinham a dizer sobre as sociedades e os humanos. A partir disto, buscou a implantação local, pois não conseguiu nacional, deste modelo e filosofia no RS. Desde então, já se mostrava alguém associado aos conhecimentos e características políticas que viriam.

A partir disto, se baseiam os neocastilhistas. Inspirados em Castilhos e em sua governança, buscam entendê-lo e usá-lo. Não fazem tudo que este fez ou pensava, pois já há novos conhecimentos do século XIX para cá, mas respeitam e usa sua base, sua visão. Por nisso neocastilhistas. Entendemos o castilhismo como uma base fundamental, mas não seguimos tudo nele colocado. O neocastilhismo busca nova abordagem do estado, baseado em suas características fundamentais e na possibilidade de utilizá-lo para a criação e ordenamento social. Defende que é preciso entender o estado como entidade e moldá-lo para que se torne eficiente e capaz de criar uma sociedade melhor. Assim como Júlio de Castilhos fez em sua época, estruturando o Rio Grande do Sul. Ou Getúlio Vargas com o Brasil nos anos 1930. 

O castilhismo envelheceu em alguns pontos. Mas não morreu. Continua viva e atual a corrente como sempre foi, responsiva a realidade brasileira. Os neocastilhistas buscam então manter esta força e permanente frescor, junto com as características e saberes atuais. Mantemos-nos atentos as características e formas da sociedade e estado brasileiro. Também amparados na filosofia e sociologia de Comte e Durkheim, a estrutura da sociedade vemos passando diretamente por suas instituições. E queremos melhorá-las. Querem os neocastilhistas: liberdade, igualdade e humanidade.     

Créditos (Imagem de capa): Wikimedia commons

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